Surgem novas manchas de óleo no litoral sul do Rio Grande do Norte

Informação é do instituto de meio ambiente potiguar; no domingo, órgão federal havia divulgado nota em que dizia que não haviam sido encontrados indícios de novas manchas na costa

Pirangi do Norte: uma das praias potiguares que voltaram a ver manchas de óleo. Crédito: enioprado/Wikimedia

Novas manchas de óleo foram encontradas ontem (28 de outubro) em praias do litoral sul do Rio Grande do Norte. De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), os pontos mais críticos foram as praias de Búzios e Tabatinga.

Também foram detectados vestígios de óleo nas praias do Amor e do Giz, ambas em Tibau do Sul; em Camurupim, no município de Nísia Floresta; e em Pirangi do Norte, em Parnamirim. Ainda segundo o Idema, a organização não governamental (ONG) Oceânica afirma ter identificado, durante mergulhos na área dos Parrachos, em Pirangi do Norte, “pequenas manchas flutuantes” de óleo.

Nota divulgada no final da tarde de domingo (27 de outubro) pelo Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA) do governo federal informou não terem sido encontrados “indícios de novas manchas de óleo chegando à costa”. O GAA pede que a população ligue para o número 185, caso encontre óleo em alguma praia.

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Formado por Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o GAA conta com a ajuda de oito navios e seis aeronaves atuando nos distritos navais de Salvador (BA) e Recife (PE). As ações de monitoramento e limpeza das praias nordestinas contam com a colaboração de 28 equipes do Serviço de Tráfego Aquaviário.

De acordo com o Departamento de Imprensa da Marinha, cerca de 1.940 pessoas estiveram envolvidas nas ações de ontem. Destas, 1.159 são da Marinha, 287 do Exército, 56 do Ibama, 91 do ICMBio e 347 da Petrobras.

Capacidade ampliada

Desde o dia 26, o comitê que dá suporte ao monitoramento das manchas de óleo que têm afetado as praias brasileiras está funcionando em Brasília, em vez de no Rio de Janeiro. Segundo a Marinha, a mudança tem por objetivo ampliar a capacidade de combate e coordenação.

“A extensão da área afetada, a duração no tempo e as características de dispersão do óleo desse crime ambiental inédito no país exigem constante avaliação da estrutura e recursos empregados. Assim, o aumento do efetivo e dos meios no combate às manchas de óleo e a transferência do GAA para as instalações do Centro de Operações Conjuntas, na sede do Ministério da Defesa, em Brasília, visam ampliar a capacidade de combate e coordenação”, informou o departamento da Marinha.

Em entrevista concedida no sábado (26 de outubro), o almirante de esquadra Leonardo Puntel disse que o governo federal notificou 11 países cobrando esclarecimentos sobre 30 navios mapeados dentro da investigação sobre a origem do vazamento de óleo. A investigação trabalha com a tese de que o responsável teria sido um navio-tanque.

A apuração inicial avaliou 1.500 embarcações e afunilou a análise para 30 veículos marinhos de 11 países. Os 30 navios estão entre os que passaram pela costa do Nordeste no período, identificados por fazerem comunicações por sistemas marítimos. Os investigadores calculam que o vazamento teria ocorrido no mês de agosto, com o óleo chegando às praias no fim daquele mês.

Não está descartada a possibilidade de que o episódio tenha sido causado por embarcações não oficiais, denominadas dark ships. Nesse caso, contudo, a apuração será mais complexa e terá de envolver outras fontes de informação, como análise de imagens de satélite.

Grupo de apuração

O Ministério Público do Trabalho informou que o procurador-geral, Alberto Balazeiro, instituiu ontem (28 de outubro) um grupo de trabalho “para apurar os impactos na saúde e na economia de trabalhadores afetados pelo vazamento de óleo no litoral brasileiro”. O grupo ficará sob a coordenação da procuradora Flávia Bauler.