Tecnologia a serviço da prevenção e recuperação de desastres naturais

IBM e Fundação Linux realizam um chamado anual de desenvolvedores para criarem aplicativos que possam salvar vidas e reduzir perdas ambientais e econômicas diante de eventos extremos, cada vez mais frequentes neste milênio

Furacão Davis, em 2005: um dos eventos extremos deste milênio - (Crédito: United States Geological Survey)

Os desastres naturais afetaram mais de 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo neste milênio e estão se tornando mais extremos e frequentes, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2017, a Cruz Vermelha americana prestou mais ajuda humanitária do que nos quatro anos anteriores combinados, respondendo a 242 desastres significativos apenas nos EUA.

A inovação tecnológica pode fazer toda a diferença para combater perdas humanas, ambientais e econômicas, ao ajudar pessoas afetadas, empresas e equipes de resgate e apoio em casos de desastres naturais. Principalmente, quando essa tecnologia está baseada no código aberto – programações que são criadas por voluntários, não têm dono e não são vendidas em formato de licença comercial.

Call for Code 2018: IBM e Fundação Linux reuniram 100 mil desenvolvedores e cientistas de dados de 156 países para criar aplicativos que ajudem a reduzir perdas humanas, ambientais e econômicas diante de desastres naturais (Crédito: Divulgação IBM)

 

Por isso, a IBM e a Fundação Linux uniram forças a organizações como a Cruz Vermelha Americana e a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas para criar em 2018 o projeto Call For Code. Este é um desafio global de programação que convida desenvolvedores do mundo todo para tirar proveito de dados, padrões de código, habilidades criativas e conhecimento técnico para construir soluções com Inteligência Artificial, Blockchain, Nuvem e Internet das Coisas de forma a ajudar nos processos de prevenção, resposta e recuperação de desastres naturais, com ênfase na saúde individual e no bem-estar das comunidades.

A iniciativa envolve um investimento de US$ 30 milhões por parte da IBM ao longo de cinco anos para financiar o acesso a ferramentas de desenvolvedores, tecnologias, código livre e treinamento com especialistas. Além de disponibilizar suas tecnologias durante todo o processo.

Em 2018, primeiro ano do projeto Call For Code, mais de 100 mil desenvolvedores e cientistas de dados de 156 países participaram do Desafio Global, criando mais de 2.500 aplicativos. E agora os desenvolvedores brasileiros terão um evento local, que selecionará os programas que poderão participar do Desafio Global.

A IBM Brasil realizou neste fim de semana (29/06, sábado) o Call For Code Brasil, no Rio de Janeiro, com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O evento foi como um “Ideaton” para 100 pessoas – algo similar a um “hackathon”. Os participantes foram desafiados a idealizar um aplicativo que permita às pessoas notificarem problemas de saúde e problemas ambientais que colocam riscos para a saúde pós-desastres naturais.

Após a realização do evento, os grupos tem um mês para desenvolver a ideia e também poderão marcar encontros com especialistas IBM caso queiram evoluir com o projeto. O grupo vencedor vai participar do desafio Call For Code global 2019, que se encerra no dia 29 de julho. O melhor projeto da América Latina será premiado com 5 mil dólares, em dinheiro.

Call for Code: iniciativa envolve um investimento de US$ 30 milhões por parte da IBM ao longo de cinco anos e oferece aos vencedores prêmio em dinheiro e assistência da equipe da empresa (Crédito: Divulgação IBM)
VENCEDOR DE 2018

O vencedor do Call For Code 2018, que ganhou um prêmio de US$ 200 mil, foi o Projeto OWL, que significa “Organization, Whereabouts, and Logistics” (Organização, Localização e Logística). Ele conta com uma infraestrutura de comunicação off-line que fornece a socorristas uma interface simples para gerenciar todos os aspectos de um desastre.

O sistema foi testado com sucesso em Porto Rico em abril e está pronto para ser utilizado na temporada de furacões que se aproxima nos países da América Central, do Norte e Caribe.