Temperatura de testículos e pizza contra câncer vencem prêmio Ig Nobel

Prêmio entregue anualmente na Universidade Harvard homenageia pesquisas “que fazem rir e pensar”

Pizza: será que o consumo desse alimento influencia a ocorrência de câncer? Cientistas italianos investigaram a hipótese. Foto: Max Pixel

Roger Mieusset, especialista em fertilidade da Universidade de Toulouse (França), foi um destaque indiscutível na cerimônia de entrega dos prêmios Ig Nobel, realizada na Universidade Harvard na quinta-feira (12 de setembro), segundo noticiaram os jornais “The Guardian” e “El País”. A 29ª edição da premiação anual, realizada no mês anterior ao da divulgação dos prêmios Nobel, homenageia trabalhos que “primeiro fazem as pessoas rir e depois fazem elas pensar”.

Mieusset e seu colega, Bourras Bengoudifa, recrutaram carteiros e motoristas de ônibus franceses para descobrir se os testículos de um homem têm a mesma temperatura. Depois de analisarem os números de sensores estrategicamente posicionados, os pesquisadores concluíram que o testículo esquerdo é mais quente – mas apenas quando o homem está vestido. O estudo foi escolhido com méritos na categoria anatomia.

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Na medicina, o prêmio foi para cientistas italianos que dedicaram anos ao estudo da influência do consumo de pizza em diferentes tipos de câncer. O prêmio de química foi para pesquisadores japoneses que mediram a quantidade de saliva que uma criança de 5 anos produz diariamente: cerca de 500 mililitros – metade durante as refeições e praticamente nada durante o sono.

O Ig Nobel de engenharia foi entregue a um inventor iraniano pela criação de uma máquina de trocar fraldas. O de economia foi conquistado por pesquisadores holandeses que descobriram que cédulas de dinheiro (sobretudo as usadas na Romênia) podem espalhar micróbios infecciosos.

Arranhões agradáveis

Um grupo internacional de pesquisadores levou o prêmio na categoria paz, por mapear quais partes do corpo são mais agradáveis ​​de arranhar. Segundo os cientistas, os tornozelos ficaram em primeiro lugar, seguidos pelas costas e pelo antebraço.

Uma equipe liderada por chineses ganhou o prêmio de biologia ao descobriu que baratas magnetizadas mortas se comportam de maneira diferente de baratas magnetizadas vivas quando estudadas com um sensor quântico. Já o prêmio de educação médica foi para um grupo americano que mostrou que um sistema usado no treinamento de cães aumenta as habilidades dos estudantes de cirurgia.

Outro grupo internacional levou o prêmio de física por descobrir como o vombate (wombat, pequeno marsupial australiano) produz suas fezes em forma de cubo. O feito, único no mundo animal, ajuda o animal a construir pilhas estáveis de esterco para marcar seu território.

Como acontece todo ano, os vencedores que querem retirar sua premiação devem ir por conta própria para a cerimônia em Harvard. Os prêmios são entregues por vencedores do Nobel. E também há um valor em dinheiro: desta vez era uma cédula de 10 bilhões de dólares – do Zimbábue (já obsoleta, é claro).

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