Temperaturas podem subir 14°C com destruição de nuvens stratocumulus

Elas cobrem cerca de 7% da superfície da Terra e resfriam o planeta refletindo o calor do sol de volta para o espaço

Acinzentadas ou esbranquiçadas, as nuvens stratocumulus são formadas por gotículas de água e estão associadas a chuvas fracas. (Crédito: Simon A. Eugster)

Talvez você nem saiba que elas existem, mas as nuvens stratocumulus são cruciais para a manutenção adequada da temperatura na Terra. Uma equipe do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, liderada por Tapio Schneider, modelou nuvens stratocumulus sobre oceanos subtropicais, que cobrem cerca de 7% da superfície da Terra e resfriam o planeta refletindo o calor do sol de volta ao espaço.

Eles descobriram que houve uma alteração repentina quando os níveis de CO2 atingiram cerca de 1200 partes por milhão (ppm) – as nuvens stratocumulus se separaram e desapareceram. A perda destas nuvens brancas brilhantes teria um efeito drástico, adicionando 8°C à temperatura global, segundo o estudo publicado na Nature Geoscience.

Como o mundo se aqueceria em torno de 6°C ou mais se os níveis de CO2 ultrapassassem 1200 ppm, isso significa que a temperatura global média poderia exceder 14°C ou mais, acima do nível pré-industrial. Ou seja, grandes partes dos trópicos se tornariam muito quentes para a sobrevivência dos animais de sangue quente, incluindo nós.

Embora os níveis de CO2 ainda estejam a ponto de atingir 410 ppm este ano, enquanto nos tempos pré-industriais ficavam em 280 ppm. Se todos os combustíveis fósseis disponíveis no mundo fossem queimados, os níveis atmosféricos de CO2 poderiam subir para até 4000 ppm.

Mas no cenário mais pessimista – padrão usado pelos cientistas climáticos -, que considera que nada será feito para reduzir as emissões, os níveis de CO2 devem passar de 1200 ppm décadas após 2100.

A razão pela qual o efeito de feedback na nuvem não havia sido descoberto antes é que os modelos climáticos gerais do planeta precisam simplificar bastante a física da nuvem para tornar os cálculos gerenciáveis. Mas, em vez disso, a equipe de Schneider modelou apenas uma pequena parte da atmosfera subtropical em grande detalhe.

Segundo avaliação de outros cientistas consultados pela revista NewScientist, o estudo e suas consequências são plausíveis, mas todos confessaram esperar que algo seja feito pela humanidade antes que cheguemos a este ponto.

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