TESS investiga colisão da jovem Via Láctea com galáxia anã

Astrônomos analisam a história de uma estrela para descobrir mais sobre o choque da nossa galáxia com Gaia-Encélado

Via Láctea nos céus do Atacama: o início do choque da nossa galáxia com Gaia Encélado se deu entre 11,6 bilhões e 13,2 bilhões de anos atrás, aproximadamente. Crédito: G. Hüdepohl (atacamaphoto.com)/ESO

Uma única estrela brilhante na constelação de Indus, visível no hemisfério sul, originou novas ideias sobre uma colisão antiga entre a Via Láctea e outra galáxia menor chamada Gaia-Encélado, no início de sua história. Os resultados desse estudo foram publicados na revista “Nature Astronomy”.

Uma equipe internacional de cientistas liderada pela Universidade de Birmingham (Reino Unido) adotou a nova abordagem de aplicar a caracterização forense de uma única estrela antiga e brilhante chamada ν Indi para investigar a história da Via Láctea. As estrelas carregam “registros fossilizados” de suas histórias e, portanto, dos ambientes em que se formaram. A equipe usou dados de satélites e telescópios terrestres para desbloquear essas informações da ν Indi.

A estrela foi envelhecida usando suas oscilações naturais (astrossismologia, ou sismologia estelar), detectadas em dados coletados pelo recém-lançado Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da Nasa. Lançado em 2018, o TESS está pesquisando estrelas em grande parte do céu para procurar planetas que as orbitam e estudar os próprios sóis. Quando combinada com dados da Missão Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), a história revelou que essa estrela antiga nasceu cedo na vida da Via Láctea, mas a colisão Gaia-Encélado alterou seu movimento através de nossa galáxia.

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Data revista

Ao datarem v Indi, os pesquisadores conseguiram também datar a colisão entre a Via Láctea e Gaia-Encélado. Segundo eles, o mais cedo que a colisão poderia ter começado seria entre 11,6 bilhões e 13,2 bilhões de anos atrás, com 68% e 95% de confiança, respectivamente.

Bill Chaplin, professor de astrofísica da Universidade de Birmingham e principal autor do estudo, disse: “Como o movimento de ν Indi foi afetado pela colisão com Gaia-Encélado, a colisão deve ter acontecido depois que a estrela se formou. É assim que fomos capazes de usar a idade determinada astrossismicamente para estabelecer novos limites quando o evento Gaia-Encélado ocorreu.”

O coautor Ted Mackereth, também da Universidade de Birmingham, disse: “Como vemos tantas estrelas de Gaia-Encélado, achamos que [o choque] deve ter tido um grande impacto na evolução de nossa galáxia. Entender que isso agora é um tópico muito quente em astronomia é um passo importante para entender quando essa colisão ocorreu.”

Bill Chaplin acrescentou: “Este estudo demonstra o potencial da astrossismologia com o TESS, e o que é possível quando se tem uma variedade de dados de ponta disponíveis em uma única estrela brilhante”.