Tufão leva para rio próximo resíduo de descontaminação de Fukushima

Ainda não se sabe quantos sacos com o material foram para o rio

Imagem de satélite mostra o Hagibis em 9 de outubro, aproximando-se do Japão: tufão castigou a principal ilha japonesa. Crédito: NOAA

Sacos a granel com material coletado durante os esforços de descontaminação após o desastre nuclear na usina de Fukushima, em 2011, foram levados a um rio durante o supertufão Hagibis, em 12 de outubro, informou o jornal “Asahi Shimbun”.

Segundo o governo da cidade de Tamura, as sacolas estavam entre 2.667 armazenadas temporariamente em um local no distrito de Miyakoji-machi. A instalação foi inundada após fortes chuvas trazidas pelo tufão, e a água transportou um número desconhecido de sacolas para um rio a cerca de 100 metros de distância.

Um funcionário do governo de Tamura recebeu um telefonema por volta das 21h20 do dia 12 de outubro de uma empresa de engenharia civil próxima, dizendo que seis dos sacos haviam sido recuperados do rio. Cada um desses sacos 1 metro cúbico de tamanho. Nenhum lençol foi colocado sobre as sacolas como precaução contra a chuva e o vento do tufão.

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Uma autoridade de Tamura disse que serão realizadas consultas com o Ministério do Meio Ambiente para determinar possíveis efeitos sobre o meio ambiente.

Substâncias radiativas

O esforço de descontaminação envolveu a remoção de detritos, como solo, folhas e plantas, contendo substâncias radiativas liberadas após o colapso de 2011 na usina de Fukushima.

Mais de 110 mil equipes de resgate procuram sobreviventes no Japão na sequência do Hagibis, que já causou ao menos 40 mortes. No fim de semana, o ciclone despejou 40% da precipitação pluviométrica média anual em algumas áreas e fez com que pelo menos 25 rios em todo o país transbordassem, provocando inundações em extensas áreas. Até a manhã de hoje (14 de outubro), pelo menos 16 pessoas ainda estavam desaparecidas e 200 foram confirmadas feridas.

As autoridades locais alertaram repetidamente que o Hagibis podia ser comparado a um tufão que havia causado estragos na região de Tóquio em 1958, mas mostrava como a infraestrutura de segurança implantada desde então havia melhorado o quadro geral. O tufão de 61 anos atrás matou mais de 1.200 pessoas.