Tufões na Coreia amplificaram incêndios florestais nos EUA

A ocorrência de três tufões em duas semanas na Península da Coreia em 2020 reverteu por algum tempo a direção do vento, causando destruição do outro lado do Oceano Pacífico

O tufão Bavi atinge a Coreia do Sul em 2 de setembro de 2020: em duas semanas, três ciclones tropicais passaram pela península coreana, um fenômeno muito difícil de acontecer. Crédito: Nasa/Eodis/Lance

O ano de 2020 foi palco de um número anormalmente grande de desastres naturais. O início teve grandes incêndios florestais na Floresta Amazônica e na Austrália. Uma série de incêndios florestais eclodiu na costa oeste dos Estados Unidos, na Califórnia durante o verão e no Oregon em setembro de 2020. Em particular, o incêndio florestal do Oregon se intensificou de forma incontrolável e se espalhou por uma vasta área graças a fortes rajadas de vento. Esses ventos excepcionalmente fortes podem ter sido alimentados por uma fonte inesperada: tufões no outro lado do Oceano Pacífico.

No final de agosto e no início de setembro, três tempestades – Bavi, Mayask e Haishen – ocorreram com apenas duas semanas de diferença na península coreana, causando inundações, deslizamentos de terra e várias vítimas. Em um artigo publicado recentemente na revista “Geophysical Research Letters”, foram apresentadas evidências de que essas tempestades tinham energia mais do que suficiente para perturbar a corrente de jato. Elas criaram um “trem de ondas” atmosférico que amplificou as condições climáticas, o que aumentou a probabilidade de incêndios florestais na América do Norte.

Essa evidência foi descoberta por uma equipe internacional liderada por Jin-Ho Yoon, professor associado do Instituto de Ciência e Tecnologia de Gwangju (Coreia), e pelo prof. Shih-Yu (Simon) Wang, da Universidade Estadual de Utah (EUA).

Fenômeno histórico

Comentando suas descobertas, o dr. Yoon declara: “O tufão Haishen prolongou a propagação inicial do fogo e manteve condições anormalmente quentes e secas na Califórnia e eventos extremos de vento no Oregon”.

“Um tufão dessa magnitude não seria incomum na Coréia a cada ano”, disse o coautor prof. Wang. “Mas três em duas semanas? Isso foi bastante histórico.”

Como um tufão que atingiu a Coreia pode afetar o clima na América do Norte? Yoon explica que o fluxo de saída dos três tufões amplificou um “trem de ondas” atmosférico, criando um fluxo de ar reverso através do Pacífico, mudando um regime de vento de oeste climatologicamente para um regime de vento de leste. Também aumentou o gradiente de pressão em toda a América Ocidental, de forma que a pressão atmosférica atingiu o nível mais baixo de todos os tempos nos últimos 40 anos.

As descobertas da equipe mostram como desastres relacionados ao clima, muitas vezes considerados confinados a uma região geográfica menor, têm um “efeito dominó”. Elas causam situações que se transformam em desastres maiores, mesmo à distância de um oceano.

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