Turquia vai inundar cidade histórica de 12 mil anos para construir represa

Apenas 12% dos assentamentos de Hasankeyf já foram explorados por arqueólogos, o que significa que, se a cidade for realmente inundada, muito conhecimento histórico se perderá

Turquia vai inundar cidade histórica de Hasankeyf, que data de 12 mil anos, para construir represa / Foto: Herbert Hank / Licença CC BY 2.0 / Wikimedia Commons

Uma joia da história da humanidade pode ser destruída se o governo da Turquia seguir em frente com um plano de inundar a cidade de Hasankeyf, que fica às margens do Rio Tigre, para a construção de uma represa.

O governo turco começou em 2006 a construção da represa e uma usina de energia hidrelétrica em Hasankeyf. Segundo reportagem do jornal “The Guardian“, o governo deu um prazo até dia 8 de outubro para os moradores evacuarem a região, que deverá ser inundada nas próximas semanas. Cerca de 80 mil pessoas serão desalojadas.

LEIA TAMBÉM: Cidade da Idade da Pedra é descoberta em Israel

Residentes entraram com uma ação em um tribunal europeu de direitos humanos, alegando que a represa irá destruir um patrimônio cultural, mas o processo não foi bem sucedido.

Hasankeyf é um dos assentamentos que foram habitados continuamente mais antigos da humanidade. A cidade data de 12 mil anos atrás e contém centenas de cavernas, igrejas e tumbas. De acordo com o jornal, apenas 12% dos assentamentos já foram explorados por arqueólogos, o que significa que, se a cidade for realmente inundada, muito conhecimento histórico se perderá.

Construções de Hasankeyf / Foto: Martin Cígler / Licença CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons

A cidade já fez parte de diversas culturas, como Mesopotâmia, Império Bizantino, impérios árabes e o Império Otomano. Mas, segundo Hakan Ozoglu, professor de história na Universidade Central da Flórida, os assentamentos são anteriores a todas essas civilizações.

Alguns monumentos foram retirados de Hasankeyf, para sua preservação. Ozoglu alega que os benefícios da represa não chegam nem perto do potencial turístico que poderia ser explorado se a Unesco declarasse o local como patrimônio da humanidade. Para isso, porém, a agência da ONU para educação, ciência e cultura explicou que seria necessário que o governo turco solicitasse a inscrição do local – e ele nunca o fez.