Um terço dos pacientes de câncer usam medicina alternativa

Pesquisa descobriu que suplementos de ervas foram a medicina alternativa mais comum entre pacientes de câncer

Um terço das pessoas com diagnóstico de câncer usa medicamentos complementares e alternativos, como meditação, ioga, acupuntura, fitoterapia e suplementos. É o que mostrou uma pesquisa do Centro Médico UT Southwestern.

O estudo usou dados da Pesquisa de Saúde Nacional dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e foi publicado na revista científica “JAMA Oncology” e divulgado nesta quinta-feira (11).

A pesquisa descobriu que suplementos de ervas foram a medicina alternativa mais comum. Em segundo lugar, vieram a quiropraxia, ou manipulação osteopática.

“Os pacientes mais jovens são mais propensos a usar medicamentos alternativos e alternativos, e as mulheres são mais propensas a isso”, disse Nina Sanford, autora da pesquisa. Nina também se disse surpresa com a descoberta de que 29% das pessoas que usam a medicina alternativa não contou isso aos seus médicos. Muitos entrevistados disseram que não disseram nada porque seus médicos não perguntaram, ou eles não achavam que seus médicos precisavam saber.

A pesquisadora afirma que isso é preocupante, especialmente no caso de suplementos de ervas. “Você não sabe o que há neles, alguns desses suplementos são uma mistura de coisas diferentes”, diz. Nina recomenda que os pacientes evitassem usar esse tipo de suplemento durante o tratamento com radiação, porque não há dados sobre certos suplementos que poderiam interferir no tratamento. “A preocupação é que níveis muito altos de antioxidantes possam tornar a radiação menos eficaz.”, afirma a cientista.

David Gerber, especialista em câncer de pulmão e professor de Medicina Interna e Ciências da População e Dados do Centro Médico disse que os médicos precisam saber se seus pacientes usam suplementos fitoterápicos, pois podem estragar completamente os tratamentos tradicionais de câncer.

“Os suplementos podem interagir com os remédios que estamos dando aos pacientes e, por meio dessa interação, podem alterar o nível do medicamento no paciente”, disse ele. “Se os níveis ficarem muito altos, as toxicidades aumentam. Se os níveis ficarem muito baixos, a eficácia diminuiria.”, diz.

Nancy Myers, 47 anos, passou por um tratamento contra câncer entre 2015 e 2017, e queria usar suplementos, mas consultou seus médicos antes. “Todos disseram que eu não deveria usar, pois não sabiam como eles interagiriam com o meu medicamento convencional, então eu respeitava isso”, disse. Somente após o tratamento ela começou a tomar cúrcuma, ômega-3, vitamina D e vitamina B6.

Nancy conta que conheceu muitas pessoas em tratamento de câncer que tomam suplementos. “Uma senhora que conheci recentemente toma 75 suplementos por dia”, afirma. Ela conta ainda que cada pessoa em seu grupo de apoio ao câncer usa algum tipo de medicina alternativa. Além dos suplementos, ela pratica meditação e ioga com orientação de um aplicativo de smartphone.

“É o que podemos controlar. Não podemos controlar todo o câncer”, disse ela. “Isso ajuda, porque faz você tirar a mente da doença”, afirma.

Nancy ainda disse que conhece algumas pessoas com câncer que usam apenas medicina alternativa, e nenhum tratamento médico tradicional. Para Nina Sanford, esta é uma abordagem perigosa e que pode ser fatal. O caso mais famoso foi o do fundador da Apple, Steve Jobs, que supostamente usou dietas especiais, acupuntura e outras alternativas depois de receber um diagnóstico de câncer pancreático. Ele se voltou para a medicina tradicional no final de sua batalha contra o câncer e morreu em 2011.

Embora os médicos sejam altamente cautelosos quanto ao uso de ervas e outros suplementos durante o tratamento, eles são muito mais abertos à meditação e à ioga como práticas que podem ajudar os pacientes a lidar com o choque do diagnóstico de câncer e o estresse da quimioterapia, radiação e cirurgia.

“Recomendamos fortemente que os pacientes permaneçam ativos e se exercitem durante o tratamento”, diz Nina Sanford. “Um efeito colateral comum da radiação é a fadiga, e os pacientes que sentem mais fadiga são aqueles que são os mais sedentários. Os que estão fazendo exercício são os que têm mais energia.”

Belindy Sarembock, 53 anos, de Dallas, disse que praticava ioga durante os tratamentos para o câncer de mama. “É tão relaxante, eu me sinto tão bem depois de sair. Não consigo pensar em nada melhor do que isso para o corpo.”, afirmou

Ela disse que tinha neuropatia ou danos nos nervos da quimioterapia, e a ioga eliminou a dor quase imediatamente. “Eu não conseguia ficar na ponta dos pés. Depois da segunda aula, consegui fazer isso, disse ela. “Eu gostaria de ter conhecido a ioga mais cedo. Eu recomendo para qualquer um.”

Fonte: Centro Médico UT Southwestern

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