US$ 4 trilhões é o custo econômico de não vacinar o mundo inteiro

A solidariedade que a pandemia de covid-19 exige de nós também tem sua faceta econômica: sem vacinação generalizada, todos perdem

Vacinação global: exercício de solidariedade entre ricos e pobres. Crédito: DoroT Schenk/Pixabay

O lançamento de uma vacina para impedir a propagação de uma pandemia global não sai barato. Bilhões de dólares foram gastos no desenvolvimento de drogas e na implementação de um programa para colocar essas drogas nos braços das pessoas.

Mas em meio a uma distribuição desigual de vacinas – com os países mais pobres ficando muito atrás dos países mais ricos –, outra preocupação se apresenta: o custo de não vacinar todos.

Meus colegas e eu procuramos descobrir qual poderia ser o impacto total para a economia global da distribuição desigual de vacinação.

Interdependência

Para isso, analisamos 35 setores – como serviços e manufatura – em 65 países e examinamos como todos eles estavam ligados economicamente em 2019, antes da pandemia. Por exemplo, o setor de construção nos Estados Unidos depende do aço importado do Brasil, os fabricantes de automóveis americanos precisam de vidros e pneus de países da Ásia e assim por diante.

Em seguida, usamos dados sobre infecções por covid-19 para cada país para demonstrar como a crise do coronavírus interrompeu o comércio global, restringindo os embarques de aço, vidro e outras exportações para outros países. Quanto mais um setor depende de pessoas que trabalham nas proximidades para produzir bens, mais interrupções haverá devido ao aumento das infecções.

A seguir, modelamos como as vacinas poderiam ajudar a aliviar esses custos econômicos, visto que uma força de trabalho saudável e imune é capaz de aumentar a produção.

Carregando o fardo

Nossos resultados mostraram que, se as nações mais ricas estiverem totalmente vacinadas até meados deste ano – uma meta pela qual muitos países estão se esforçando –, ainda que os países em desenvolvimento consigam vacinar apenas metade de suas populações, a perda econômica global seria de cerca de US$ 4 trilhões.

Estimamos o custo econômico global dos países em desenvolvimento que não vacinam nenhum de seus cidadãos em cerca de US$ 9 trilhões. O trabalho está em andamento para aumentar o alcance das vacinas para os países em desenvolvimento, mas, mesmo assim, é provável que as nações mais pobres ainda fiquem para trás no número total de vacinados.

Qualquer que seja o preço, EUA, Canadá, Europa e Japão arcariam com quase metade do fardo das interrupções contínuas no comércio global – mesmo se eles próprios conseguissem vacinar a totalidade de suas próprias populações.

As descobertas surgem no momento em que a comunidade global busca maneiras de resolver o desequilíbrio nas vacinações nacionais. Os resultados de nosso estudo, publicado como um documento de trabalho pelo National Bureau of Economic Research dos EUA e seu homólogo europeu, o Center for Economic Policy Research, foram apresentados em um briefing recente da Organização Mundial da Saúde (OMS). O momento do relatório também coincide com o anúncio do presidente Joe Biden de que os EUA pretendem aderir à Covax – uma iniciativa que visa vacinar pelo menos 20% da população de todos os países até o final deste ano.

Mas a Covax está atualmente a bilhões de dólares de distância de conseguir cumprir essa meta.

Nenhuma economia é uma ilha

Nossa pesquisa ressalta que é do interesse econômico direto dos países ricos garantir que as nações pobres também sejam totalmente vacinadas.

A vacinação generalizada em nações mais ricas certamente ajudará empresas domésticas como restaurantes, academias e outros serviços. Mas setores como o automotivo, de construção e varejo, que dependem de outros países para materiais, peças e suprimentos, continuarão a sofrer se as vacinas não forem disponibilizadas em todo o mundo.

Nenhuma economia é uma ilha – a recuperação econômica global completa ocorrerá apenas quando todas as economias se recuperarem da pandemia.

 

* Sebnem Kalemli-Ozcan é professora de economia na Universidade de Maryland (EUA).

** Este artigo foi republicado do site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original aqui.

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