Usar sacola plástica rende multa de R$ 280 no Paquistão

Paquistão luta há mais de uma década contra o excesso de sacolas plásticas, mas a lei que as proíbe é pouco fiscalizada e a população fica sem opções para levar compras

Restos de plástico e outros materiais em terreno baldio de Karachi: problema sério. Foto: Zainub Razvi/flickr

A guerra para livrar o Paquistão das sacolas plásticas ganhou agora um novo capítulo quando elas passaram a ser proibidas na província de Punjab, a mais populosa (cerca de 74 milhões de habitantes), informou o jornal “The Guardian”.

Em Islamabad, a capital, a proibição entrou em vigor na semana passada e envolve multas. Quem for flagrado com uma sacola de polietileno será multado em US$ 70 (cerca de R$ 280). Fabricantes de plásticos e lojistas também serão penalizados. Mas há dúvidas sobre se a lei vai “pegar” de fato.

Um comerciante da capital foi multado em 200 mil rúpias (cerca de R$ 5.150) pelo uso de sacolas, após inspeção realizada por Farzana Altaf, diretora-geral da Agência de Proteção Ambiental do Paquistão. O gerente de outra loja recebeu multa de cerca de R$ 1.290.

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No restaurante Savor Foods, porém, Altaf e os membros de sua equipe foram expulsos. O caso foi divulgado por Zartaj Gul, ministro de Estado para a mudança climática.

O Paquistão abriga cerca de 212 milhões de pessoas num território de 880 mil km2 (pouco menor que a soma das áreas de Bahia e Maranhão). Suas províncias proibiram há mais de uma década a utilização de sacolas plásticas de uso único pelos enormes danos causados ao meio ambiente local. Os governos locais, porém, ainda não conseguiram implementar a política. A população, por seu lado, não dispõe de opções baratas.

Compromisso político

Malik Amin Aslam, conselheiro do primeiro-ministro para mudança climática, garantiu ao “The Guardian” que o governo do país está empenhado em fazer a lei vigorar. “Há um compromisso político para livrar o Paquistão de plástico”, afirmou. “Seu uso tem um enorme custo econômico e de saúde. Tomamos esse passo para fazer a diferença e cobramos penalidades pesadas [daqueles] que não respeitam a proibição”.

Aslam afirmou ainda que a proibição de plásticos é uma “meta nacional” e o governo apóia comerciantes que buscam alternativas. “No momento, estamos introduzindo sacolas de papel”, disse.

Os paquistaneses comuns, porém, ainda não têm muitas expectativas. O repórter do “Guardian” flagrou um consumidor, Kamran Ahmed, saindo de um mercado em Islamabad com legumes nas mãos. “O governo proibiu as sacolas plásticas, mas muitas lojas não oferecem alternativas no lugar de sacolas plásticas”, disse Ahmed. “Isso é muito frustrante.”