Vacina desenvolvida nos EUA poderá impedir propagação do coronavírus

Dentro de poucos meses, produto poderá começar a ser testado, um recorde em ocorrências do gênero; doença já provocou 170 mortes na China e atinge 19 países

O novo coronavírus: rapidez no sequenciamento genético feito pelos chineses pode levar a uma vacina em tempo recorde. Crédito: CDC/Wikimedia

Cientistas norte-americanos trabalham para desenvolver a vacina que poderá barrar o coronavírus que, até o momento, já infectou quase 8 mil pessoas em vários países e matou quase duas centenas de pessoas. Se tudo correr bem, dentro de poucos meses a vacina poderá começar a ser testada.

O laboratório da farmacêutica Inovio, na cidade de San Diego, na Califórnia, é neste momento um dos locais onde a vacina está sendo desenvolvida. Os cientistas da Inovio esperam ter o produto pronto para ser testado em humanos no início do verão e já lhe deram um nome: “INO-4800”.

O fato de as autoridades chinesas terem sido rápidas ao divulgar o código genético do vírus ajudou os cientistas a determinar a origem, as mutações que pode sofrer à medida que o surto se desenvolve e a perceber a melhor forma de proteger a população mundial do contágio.

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“Assim que a China forneceu a sequência do DNA do vírus, conseguimos colocá-lo na tecnologia dos nossos computadores e desenvolver o protótipo de uma vacina em apenas três horas”, explicou à rede britânica BBC Kate Broderick, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Inovio.

Caso os testes iniciais sejam bem-sucedidos, serão feitos testes em maior escala, principalmente na China, o que pode ocorrer até o fim deste ano. Se a cronologia prevista pela Inovio se confirmar, esta será a vacina desenvolvida e testada mais rapidamente em um cenário de surto.

Da última vez que um vírus semelhante surgiu, em 2002 – a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) –, a China demorou a partilhar informações com o mundo e, por isso, a epidemia já estava perto do fim quando uma vacina foi desenvolvida.

Como funciona

A equipe responsável pelo desenvolvimento da vacina utiliza uma nova tecnologia de DNA e trabalha com uma empresa de biotecnologia de Pequim.

“As nossas vacinas são inovadoras pois utilizam as sequências de DNA do vírus para atingir partes específicas do agente patogênico”, organismo capaz de produzir doenças infecciosas aos seus hospedeiros, explicou a responsável pela empresa norte-americana. “Depois, utilizamos as células do próprio paciente como uma fábrica para a vacina, fortalecendo os mecanismos de resposta naturais do corpo.”

O trabalho desse e de outros laboratórios é financiado pela Coligação para Inovações de Preparação para Epidemias (CEPI, na sigla original), uma organização não governamental que apoia o desenvolvimento de vacinas que previnam surtos.

“A nossa missão é garantir que os surtos não sejam uma ameaça para a humanidade”, explicou Melanie Saville, uma das diretoras da organização, que foi criada depois do surto de ebola na África Ocidental.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das entidades que participam da procura global por uma vacina que combata o coronavírus, diz que não existem garantias de que qualquer um dos projetos em desenvolvimento seja suficientemente seguro e eficaz para que possa vir a ser utilizado.

“Os especialistas vão considerar vários critérios, incluindo a segurança da vacina, as respostas imunológicas e a disponibilidade dos laboratórios para fabricarem doses suficientes no tempo necessário”, explicou a OMS.

Filipinas: primeiro caso confirmado

As autoridades das Filipinas confirmaram hoje (30) o primeiro caso no país do novo coronavírus, que já provocou 170 mortes na China, onde há mais de 7.700 pessoas infectadas, e já atinge mais 18 países.

O secretário de Saúde filipino, Francisco Duque, disse que a pessoa contagiada é uma mulher chinesa, de 38 anos, que viajou de Wuhan, na China continental, passando por Hong Kong, para as Filipinas no dia 21 de janeiro.

A mulher procurou tratamento médico no dia 25 de janeiro devido a uma tosse leve. Hoje, foi confirmada a contaminação pelo vírus, informou Duque em entrevista.

A Índia também confirmou nesta quinta-feira o primeiro caso do coronavírus no país. Segundo as autoridades indianas, um aluno da Universidade de Wuhan apresentou resultado positivo para o vírus.

Japão: contaminação sem sintomas

Funcionários do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão confirmaram a existência dos primeiros dois casos de infecção por coronavírus sem sintomas no país. Acrescentaram que os casos sem sinais de infecção são os primeiros de conhecimento público fora da China.

A pasta confirmou que três indivíduos repatriados da cidade chinesa de Wuhan são portadores do novo tipo de coronavírus. Os três estão entre os 206 passageiros que retornaram quarta-feira ao Japão em um avião fretado pelo governo.

Um homem na faixa dos 40 anos e uma mulher na casa dos 50 não têm sinais de infecção, mas apresentaram resultado positivo no exame viral. Outro homem na faixa dos 50 anos que disse sentir dor de garganta teve febre antes de testar positivo.

O vírus não foi detectado em 201 outros passageiros do mesmo voo. Dois dos passageiros recusaram-se a fazer o exame. Funcionários da saúde afirmam que vão continuar a tentar convencê-los da necessidade de se submeter ao teste.

Já chega a 11 o número de pessoas infectadas no Japão.

O ministério explica que a confirmação da infecção de dois indivíduos que não viajaram para Wuhan comprova a ocorrência de contágio pessoal no Japão. No entanto, a pasta pede ao público que não se preocupe excessivamente, pois não houve disseminação do coronavírus por uma ampla área.

 

* A RTP é a emissora pública de televisão de Portugal; a NHK é a emissora de televisão pública do Japão,

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