Veado-vermelho da Escócia mostra teoria de Darwin em ação

Animais que nascem mais cedo no ano, à medida que as temperaturas começam a subir, estão se multiplicando mais, numa adaptação à mudança climática

Veado-vermelho de Rum: testemunho da adaptação darwiniana às novas condições do clima. Crédito: Martyn Baker

Alterações genéticas no veado-vermelho na Ilha de Rum, na costa oeste da Escócia, desempenharam um papel fundamental em uma rápida mudança nas datas de nascimento nos últimos anos, afirma uma equipe internacional de cientistas. A pesquisa, publicada na revista “PLOS Biology”, fornece algumas das primeiras evidências de que os animais selvagens estão evoluindo para dar à luz mais no início do ano, à medida que o clima esquenta.

Estudos anteriores haviam mostrado que o veado-vermelho está dando à luz mais cedo desde os anos 1980, a uma taxa de cerca de três dias por década, em parte devido aos efeitos de temperaturas mais altas no comportamento e na fisiologia do animal.

Agora, os cientistas revelaram que mudanças genéticas causadas pela seleção natural – a teoria da evolução desenvolvida por Charles Darwin – também estão envolvidas. O novo estudo fornece um exemplo raro de evolução acontecendo com rapidez suficiente para ser detectado em apenas algumas décadas.

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Os pesquisadores, da Universidade Nacional Australiana e das universidades de Edimburgo, St Andrews e Cambridge (Reino Unido), fizeram a descoberta usando registros de campo e dados genéticos coletados em Rum durante um período de 45 anos desde 1972.

Associação de fatores

As fêmeas dos veados-vermelhos dão à luz um único bezerro a cada ano, e aqueles que se reproduzem no início do ano têm mais filhos ao longo da vida, dizem os pesquisadores.

Suas descobertas mostram que isso se deve em parte a uma associação entre os genes que produzem os filhotes mais cedo e o maior sucesso reprodutivo geral. Como resultado, genes para procriação mais cedo no ano se tornaram mais comuns na população de veados-vermelhos de Rum ao longo do tempo.

“Este é um dos poucos casos em que documentamos a evolução em ação, mostrando que pode ajudar as populações a se adaptarem ao aquecimento climático”, afirmou Timothée Bonnet, da Universidade Nacional Australiana, que liderou o estudo.

Josephine Pemberton, da Universidade de Edimburgo, que também participou da pesquisa, declarou: “Estudos de longo prazo da vida útil individual são uma das poucas maneiras de entender como as populações respondem às mudanças ambientais e como gerenciar seus efeitos”.