Verme gigante da areia prova que verdade é mais estranha que ficção

Rastros fossilizados de vermes de até dois metros de comprimento revelam mais sobre o comportamento dessas criaturas pré-históricas

Abertura de toca Pennichnus formosae: verme que a fazia podia atingir dois metros de comprimento. Crédito: Yu-Yen Pan CRÉDITO Yu-Yen Pan

Pesquisadores internacionais encontraram evidências de que grandes vermes predadores – alguns com até dois metros de comprimento – vagavam pelo fundo do oceano perto de Taiwan há mais de 20 milhões de anos. A descoberta, publicada na revista “Scientific Reports”, é o resultado da reconstrução de um vestígio fóssil incomum que eles identificaram como uma toca desses vermes.

De acordo com a principal autora do estudo, Yu-Yen Pan, doutoranda em Ciências da Terra da Universidade Simon Fraser (Canadá), o vestígio fóssil foi encontrado em uma área rochosa perto da costa de Taiwan. Os vestígios de fósseis fazem parte de um campo de pesquisa conhecido como icnologia. “Fiquei fascinada por essa toca de monstro à primeira vista”, diz ela. “Comparado a outros vestígios de fósseis que geralmente têm apenas algumas dezenas de centímetros de comprimento, este era enorme; dois metros de comprimento e dois a três centímetros de diâmetro. As estruturas distintas e semelhantes a penas ao redor da toca superior também eram únicas e nenhum vestígio de fóssil previamente estudado mostrou características semelhantes.”

Pan e Shahin Dashtgard, professor de Ciências da Terra da Universidade Simon Fraser, fazem parte da equipe internacional que deu aos lares desses antigos vermes gigantes o nome Pennichnus formosae. Pan iniciou o trabalho enquanto concluía seu mestrado sob a supervisão do professor Ludvig Löwemark, do Departamento de Geociências da Universidade Nacional de Taiwan.

Comparação de tocas

Depois da investigação de 319 espécimes preservados nas camadas iniciais do Mioceno (22 milhões a 20 milhões de anos atrás) no nordeste de Taiwan, o modelo morfológico desse vestígio fóssil foi construído.

“Shahin nos encorajou a entrar em contato com biólogos marinhos, fotógrafos marinhos e cuidadores de aquários para comparar as tocas com análogos biológicos, o que nos permitiu chegar à conclusão de que esse vestígio fóssil foi produzido por vermes gigantes predadores de emboscada”, diz Pan.

Pesquisadores em Yehliu, região da descoberta. Crédito: Masakazu Nara

O bobbit worm moderno (Eunice aphroditois), verme também grande e predatório, às vezes é chamado de ‘atacante da areia’. Ele detecta a presa com suas antenas, depois agarra-a com suas poderosas mandíbulas e recua para sua toca. Quando cava, seu corpo ocupa toda a cova, o que explica a cova de dois metros observada em Pennichnus.

Poucos vestígios

Uma análise posterior revelou uma alta concentração de ferro ao redor da toca superior. Isso levou os pesquisadores a acreditar que o verme secretava muco para reforçar e reconstruir a parede da toca após cada alimentação.

As aberturas das tocas do moderno Eunice aphroditois são semelhantes às de Pennichnus. Isso sugere que o sedimento colapsou na toca enquanto o verme recuava ou puxava a presa ainda viva abaixo do fundo do mar.

Vermes marinhos predadores existem desde o início do Paleozoico (mais de 400 milhões de anos atrás), mas seus corpos de tecidos moles se decompõem, deixando poucos vestígios de sua existência para trás. Acredita-se que Pennichnus formosae seja o primeiro traço fóssil conhecido produzido por um predador de emboscada subterrâneo. A descoberta vai permitir aos pesquisadores uma rara oportunidade de aprender mais sobre o comportamento desse antigo predador da areia.

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