Vespas ameaçam segurança de aviões

Insetos fazem ninhos em um equipamento vital para o voo das aeronaves, as sondas pitot, obstruindo seu funcionamento

A vespa Pachodynerus nasidens na sonda pitot impressa em 3D: risco para a aviação. Crédito: House et al (2020) PLOS One, CC BY

Durante 39 meses, vespas da espécie Pachodynerus nasidens no aeroporto de Brisbane (Austrália) foram responsáveis ​​por 93 casos de bloqueio total de réplicas de sondas pitot – instrumentos vitais que medem a velocidade do ar –, de acordo com um estudo publicado no periódico de acesso aberto “PLOS One” por Alan House, da Eco Logical Australia, e colegas. Conforme observado pelos autores, os resultados ressaltam a importância das estratégias de mitigação de risco, como a cobertura de sondas pitot quando a aeronave chega e a criação de armadilhas adicionais para interceptar as vespas.

As interações entre aeronaves e animais selvagens são frequentes e podem ter graves consequências financeiras e de segurança. Mas o risco representado pela vida selvagem quando as aeronaves estão no solo é muito menos compreendido, e ameaças específicas representadas por insetos não foram quantificadas antes.

No novo estudo, House e seus colegas investigaram o possível papel das vespas Pachodynerus nasidens na obstrução de sondas pitot no aeroporto de Brisbane. Ao todo, 26 problemas relacionados a vespas foram relatados no aeroporto entre novembro de 2013 e abril de 2019, em conjunto com numerosos incidentes de segurança sérios envolvendo sondas pitot. Em sua distribuição nativa na América do Sul e Central e no Caribe, a vespa é conhecida por construir ninhos usando cavidades artificiais, como fendas de janelas, tomadas elétricas e fechaduras (em inglês, elas são conhecidas como keyhole wasps, ou vespas-fechadura).

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Problema pouco conhecido, mas sério

Os pesquisadores usaram a tecnologia de impressão 3D para construir uma série de réplicas de sondas pitot, que montaram em quatro locais no aeroporto. Todos os ninhos em tais sondas foram feitos por essas vespas, e o pico de nidificação ocorreu nos meses de verão.

O sucesso de aninhamento (ou seja, a proporção de ninhos que produzem adultos vivos) chegou ao pico entre 24°C e 31°C. As sondas preferidas tinham aberturas de mais de 3 milímetros de diâmetro.

A maioria dos ninhos foi construída em uma área do aeroporto. A proporção de áreas gramadas num raio de 1.000 metros das sondas foi um preditor significativo de nidificação. Além disso, o volume do ninho em sondas pitot pode determinar o sexo das vespas emergentes.

De acordo com os autores do estudo, a vespa P. nasidens representa um risco significativo para a segurança da aviação. Trabalhos adicionais são necessários para desenvolver estratégias para controlar ou erradicar populações persistentes dessa espécie adaptável, inventiva e altamente móvel.

Os autores acrescentam: “Esperamos que esta pesquisa chame a atenção para um problema pouco conhecido, mas sério, das viagens aéreas em regiões tropicais e subtropicais. Tendo encontrado seu caminho através do Oceano Pacífico, não há razão para duvidar de que [essa vespa] pode se espalhar para outras partes da Austrália. As consequências de não controlar essa praga esperta e perigosa podem ser substanciais.”

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