Vespas assassinas: erradicação nos EUA tem de continuar

Eliminação do primeiro ninho da Vespa mandarinia encontrado no estado de Washington não significa que todas as rainhas foram efetivamente exterminadas, diz especialista

Cabeça da Vespa-mandarina: trabalho de eliminação em Washington teve uma grande vitória, mas a próxima primavera no hemisfério norte pode render mais capítulos a esse enredo. Crédito: Gary Alpert/Wikimedia

O ninho de vespas assassinas (Vespa mandarinia, conhecida como vespa-mandarina em português) destruído em Washington no fim de outubro provavelmente não é o único no país, declarou na última semana Sven-Erik Spichiger, entomologista do Departamento de Agricultura desse estado da costa oeste dos Estados Unidos, em entrevista coletiva virtual abordada pelo jornal “USA Today“. Na ocasião, a equipe do Departamento de Agricultura de Washington que exterminou o ninho encontrou ali cerca de 500 desses insetos em estágios diversos de seu ciclo de vida. Entre eles havia 200 rainhas.

“Chegamos lá na hora certa”, disse Spichiger. Mas outros avistamentos de vespas nas cercanias da área indicam que o trabalho da equipe pode não ter terminado. “Acreditamos realmente que há ninhos adicionais. (…) Quando você vê que um ninho relativamente pequeno como este é capaz de produzir 200 rainhas, isso dá o que pensar.”

O inseto, cuja rainha chega a atingir 5 centímetros, foi observado inicialmente nos EUA em dezembro de 2019, de acordo com o Departamento de Agricultura de Washington. A Vespa mandarinia geralmente não tem como alvo pessoas ou animais de estimação. No entanto, é uma ameaça mortal para colmeias de abelhas. Essas vespas aparentemente entram em uma “fase de abate”, durante a qual decapitam as abelhas e destroem colmeias inteiras no espaço de algumas horas, segundo o departamento.

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Limitação geográfica

O possível perigo desses insetos para humanos reside em duas condições: se a pessoa é alérgica ao veneno ou se tropeçar em um ninho e sofrer várias picadas. As picadas podem causar necrose e levar à falência de órgãos, acrescentou Spichiger.

Uma vespa-mandarina foi capturada em julho no condado de Whatcom, perto da fronteira com o Canadá. Não se sabe como o inseto veio de suas áreas nativas – China, Japão, Tailândia, Coreia do Sul e Vietnã – para a América do Norte. Segundo Spichiger, porém, os avistamentos confirmados estão limitados ao condado de Whatcom e à Colúmbia Britânica. O entomologista afirmou que a região noroeste do Pacífico da América do Norte é um ótimo habitat para essas vespas.

Nos países asiáticos de onde se originam, as vespas-mandarinas matam mais de uma dúzia de pessoas por ano. No entanto, “elas não vão te caçar e matar”, disse Spichiger. De acordo com ele, havia menos de 800 células no ninho destruído em outubro. Já na área nativa das vespas, cada um desses ninhos pode produzir mais de 4 mil células e 800 rainhas.

Para Spichiger, a maioria das rainhas do ninho exterminado não escapou. Mas as que eventualmente fugiram têm uma chance de fundar novas colônias na próxima primavera no hemisfério norte. De qualquer modo, ele demonstrou otimismo quanto à possibilidade de exterminar esse inseto na América do Norte. “Neste momento, somos apenas nós e a Colúmbia Britânica, então é um evento bastante contido ainda”, afirmou.

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