Vírus e bactérias infecciosas ‘lembram-se’ de quem contaminaram

Aplicação de vacina contra sarampo em Papua-Nova Guiné: nova descoberta pode explicar características da virulência da doença. Crédito: U.S. Navy/Wikimedia Commons

Um novo estudo revelou que vírus e bactérias podem carregar memórias de infecções que criaram no passado e podem usar essas memórias a seu favor. O trabalho foi publicado na revista Nature Communications.

Ao explorarem os padrões de transmissão de infecções, os pesquisadores descobriram que os patógenos que se lembram do sexo dos hospedeiros que infectaram podem deixar o hospedeiro atual mais doente. Ao fazerem isso, eles melhoram sua própria transmissão.

A nova pesquisa, resultante de uma colaboração internacional entre Royal Holloway, Universidade de Londres (Reino Unido), CNRS (Centro Nacional da Pesquisa Científica, da França) e Universidade de Ontário Ocidental (Canadá), indica que padrões complexos de virulência de infecção no sarampo, na varicela e na poliomielite – que anteriormente desafiavam a explicação médica – podem ser esclarecidos considerando o efeito da seleção natural agindo sobre os patógenos que podem se lembrar de seu passado.

Memórias epigenéticas

Liderado pelo dr. Francisco Úbeda, professor adjunto da Escola de Ciências Biológicas da Royal Holloway, o trabalho aplica suas descobertas para entender o quebra-cabeça médico de por que em muitas doenças infantis (em particular sarampo, varicela e poliomielite) as infecções do sexo oposto possuem tendência maior de causar reações extremas ou morte do que infecções por um membro do mesmo sexo. Em princípio, não há razão para que tais padrões não possam ser observados em outras doenças infecciosas.

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Sua pesquisa se concentrou no estabelecimento de memórias epigenéticas, que são marcas transitórias nos próprios genes. Embora não alterem o DNA, essas marcas alteram a maneira como o DNA é expresso. A pesquisa mostra que as memórias epigenéticas do sexo do hospedeiro anterior são favorecidas quando dão pistas aos patógenos sobre o sexo do hospedeiro que estão infectando no momento, ou o sexo do hospedeiro que infectarão no futuro.

Com o apoio de mais trabalhos empíricos, essa pesquisa abre a possibilidade de usar terapias epigenéticas para fazer os patógenos expressarem seu comportamento menos agressivo, alterando suas memórias. O trabalho prevê o resultado de ajudar os patógenos a “esquecer” seu passado.

Variável ambiental

Úbeda disse: “Observou-se que os meninos nos países em desenvolvimento têm menos probabilidade de sobreviver ao sarampo quando adquirem a infecção de uma menina. Da mesma forma, as meninas têm menos probabilidade de sobreviver a essas infecções quando adquirem a infecção de um menino”.

Ele prosseguiu: “Dado que os humanos constituem uma parte essencial do ambiente de um micróbio, é possível que a cadeia de infecção – de uma pessoa para outra – estabeleça uma memória que muda a expressão do DNA microbiano de uma forma que pode nos deixar mais doentes. Dado que nosso sexo pode afetar a maneira como nosso sistema imunológico funciona, faz sentido que o sexo seja uma variável ambiental que os micróbios podem querer rastrear”.

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eduardo:

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