Volta ao mundo

Árvore preciosa

Exemplares de gao, ao centro, perto de palmeiras e de um milharal: benefícios para os vegetais próximos (Foto: Divulgação)

Em tempos de mudança climática, uma boa novidade vem do árido Níger (África Ocidental). Uma espécie antes menosprezada, a Faidherbia albida, ali chamada de gao, está se espalhando – ela é maioria nos cerca de 200 milhões de novas árvores observadas no sul do país nos últimos 30 anos – e renovando a agricultura na região. Elas não foram plantadas: surgiram naturalmente em mais de 5 milhões de hectares de terras ocupadas por milhares de camponeses. Enquanto as plantas cultivadas sob a copa de outras árvores não vingam por falta de sol, aquelas sob a sombra do gao prosperam porque o sistema de raízes dessa espécie, quase tão grande quanto os galhos, extrai nitrogênio do ar, fertilizando o solo. Além disso, suas folhas caem na estação chuvosa, facilitando o acesso da luz solar às plantas em um momento crucial. O solo próximo ao gao retém mais a água, garantindo melhores colheitas em tempos de seca, e o emprego de fertilizantes possibilita colheitas duas vezes maiores.

 

O primeiro turista de Musk…

Maezawa: viagem ao redor da Lua na companhia de convidados (Foto: Takeshi Fujiwara)

Um empresário japonês de comércio de roupas pela internet será o primeiro cliente da SpaceX, companhia aeroespacial do bilionário Elon Musk. Yusaku Maezawa, de 42 anos, que também coleciona arte, comprou todos os assentos de passageiros para a viagem inaugural do Big Falcon Rocket (BFR), da SpaceX, em 2023. Durante sete dias, a nave circundará a Lua antes de retornar à Terra. Na cerimônia de divulgação da novidade, em setembro, Maezawa disse que pretende levar de seis a oito artistas como convidados. O preço da passagem não foi declarado, mas já se sabe que o empresário fez um depósito inicial para ajudar a financiar a viagem.

 

… e uma sugestão de bebida a bordo

Octave de Gaulle e a garrafa: recipiente adaptado para a gravidade zero (Foto: AFP Photo / Francois Guillot)

Os astronautas não podem consumir álcool no trabalho, mas, a princípio, os turistas espaciais não estarão submetidos a essa regra. Por isso, investidores interessados em atender a essa clientela específica – e certamente endinheirada – já encontraram um meio de servir-lhes champanha durante voos com gravidade zero. O projeto, uma colaboração conjunta da marca de espumantes Mumm com o designer de interiores Octave de Gaulle (sobrinho-neto do general francês Charles de Gaulle) e o astronauta francês Jean-François Clervoy, presidente executivo da Novespace, subsidiária do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES, na sigla em francês). O Mumm Grand Cordon Stellar é servido em uma garrafa adaptada para despejar o líquido borbulhante em condições de gravidade, zero, e foi testado com sucesso em setembro.

 

Veneno visual

Tela azul em smartphone: relacionada à degeneração macular (Foto: iStock)

Uma pesquisa da Universidade de Toledo (EUA) publicada em agosto na revista “Scientific Reports” revelou que a exposição prolongada à luz azul presente nas telas de smartphones, laptops e outros aparelhos digitais danifica os olhos e pode levar à cegueira. A luz azul faz com que moléculas venenosas capazes de causar degeneração macular – uma condição incurável que afeta a parte central da visão – sejam geradas nas células visuais sensíveis à luminosidade. Segundo Ajith Karunarathne, professor assistente do departamento de química e bioquímica da Universidade de Toledo, estamos sendo expostos à luz azul continuamente e a córnea e a lente do olho não podem bloqueá-la ou refleti-la. Os pesquisadores esperam que a descoberta leve a terapias que retardam a degeneração macular, como um novo tipo de colírio.

 

Pinguins em perigo

Pinguins-reis: população ameaçada (Foto: iStock)

A maior colônia de pinguins-reis da Terra, situada na Île aux Cochons, entre a Antártida e a África, sofreu uma dramática redução nas últimas três décadas. Antes calculava-se que havia cerca de 2 milhões desses animais ali, ou um terço da população de pinguins-reis no mundo. Mais recentemente, imagens de satélite e outras obtidas a partir de sobrevoos de helicópteros indicaram a existência de 200 mil exemplares, segundo um estudo publicado na revista “Antarctic Science”. O aquecimento global pode ter uma participação importante nesse quadro. Em 1997, por exemplo, um forte El Niño aqueceu o sul do Oceano Índico, afastando os peixes e as lulas que alimentam os pinguins das águas próximas à ilha. Um estudo indica que esse fenômeno climático cíclico pode inviabilizar a população local de pinguins-reis até a metade do século.

 

Presença nos polos

Xuelong 2: quebra-gelo nacional (Foto: AFP Photo/ STR / China Out)

Cada vez menos pessoas duvidam que a China ambiciona ser uma potência em nível mundial. Uma das pistas mais recentes disso foi o lançamento, em setembro, do Xuelong 2, primeiro navio quebra-gelo construído inteiramente em um estaleiro do país, em Xangai. A embarcação, com início de operações programado para 2019, está equipada com diversos instrumentos científicos e deverá ser usada tanto em expedições à Antártida quanto ao Oceano Ártico. A China promoveu até hoje 34 missões científicas ao extremo sul do planeta e oito ao extremo norte.

 

Velocidade da morte

Células cancerosas: interessa matá-las mais rapidamente (Foto: iStock)

Dois biólogos da Universidade Stanford, Xianrui Cheng e James Ferrell, descobriram a velocidade da morte das células. Segundo os cientistas divulgaram em artigo publicado em agosto na revista “Science”, esse processo ocorre em 30 micrômetros (milésimos de milímetro) por segundo. Cheng e Ferrell chegaram a essa conclusão estudando a taxa de apoptose (ou morte programada de células, na qual elas se aniquilam em benefício do organismo) em ovos de rã. Um ser humano saudável perde em média mais de 50 bilhões de células por dia. A descoberta pode trazer benefícios para o tratamento de doenças como câncer (na qual vale a pena acelerar a velocidade da morte das células cancerosas) e Alzheimer (em que interessa retardar a morte das células cerebrais).

 

foi o número de focos de fake news identificado pelo Ministério da Saúde do Brasil em setembro, seis meses depois de ele ter iniciado um monitoramento sobre boatos e informações falsas nas redes sociais. Temas de saúde como a ação das vacinas são abordados por publicações que utilizam dados incorretos ou falsas evidências científicas.

 

Pioneirismo irlandês

Refinaria de petróleo: negócio em que a Irlanda não pode investir mais (Foto: iStock)

O Parlamento da Irlanda aprovou em julho uma lei que obriga o país a se desfazer de seus investimentos em empresas de combustíveis fósseis. A norma, apoiada por todos os partidos na Câmara Baixa (equivalente à Câmara dos Deputados), tornou a Irlanda o primeiro país a se comprometer com a retirada de dinheiro público aplicado em indústrias de petróleo, carvão e gás, que estão contribuindo para as mudanças climáticas. A lei obriga o Fundo de Investimento Estratégico da Irlanda a vender seus investimentos na indústria de combustíveis fósseis global, que, em junho de 2017, somavam 318 milhões de euros, distribuídos em 150 empresas pelo mundo.

 

Chile x sacolas plásticas

Sacolas de plástico: vetadas no comércio chileno (Foto: iStock)

O combate às sacolas plásticas e ao perigo que representam para o meio ambiente na América Latina avançou de forma inédita no Chile. Em agosto, o país se tornou o primeiro da região a banir totalmente o uso desses produtos no comércio, promulgando uma lei aprovada em maio pelo Congresso local. As exceções são casos em que o material seja necessário para higiene ou para evitar desperdício de alimentos. A multa para as empresas que não respeitarem a decisão equivale a US$ 370. Calcula-se que mais de 3,4 milhões de sacolas plásticas são utilizadas anualmente no Chile. Com a entrada da lei em vigor, a redução no uso desses artigos deve superar 3 milhões.

 

Imagens sustentáveis

Estátua de Ganesha: feita com argila e pigmentos de ervas (Foto: AFP Photo / Sam Panthaky)

A representação de ídolos em materiais que não agridem o meio ambiente chegou à Índia, como mostra essa fotografia de uma imagem do deus Ganesha sendo decorada com joias por uma mulher por ocasião do festival Ganesh Chaturthi, realizado em setembro em Ahmedabad, no oeste do país. Essa estátua da divindade com cabeça de elefante, com cerca de 2,5 toneladas de peso e 3,35 metros de altura, foi feita de argila decorada com pigmentos de ervas.

 

Destruição disseminada

O Mangkhut chega à costa de Hong Kong: ventos, chuva e devastação (Foto: AFP Photo / Mark Ralston)

Dois ciclones praticamente simultâneos dominaram o noticiário em setembro. No Atlântico, o furacão Florence, que atingira categoria 4 na escala Saffir-Simpson (cujo grau máximo é 5), chegou ao leste dos Estados Unidos já como categoria 1, mas despejou um formidável volume de chuva sobretudo sobre as Carolinas do Norte e do Sul, inundando cidades e campos. No Pacífico, o tufão Mangkhut alcançou o grau máximo e, em sua trajetória, devastou a ilha de Guam (território dos Estados Unidos) e o norte de Luzon, uma das maiores ilhas das Filipinas, além de Taiwan, Vietnã e o sul da China. Ventos e chuva causaram deslizamentos e enchentes, com prejuízos generalizados – os mais dramáticos foram nas Filipinas, em regiões despreparadas para esse tipo de fenômeno. A seguir, alguns dados sobre essas tempestades, amostras de fenômenos cuja frequência deve aumentar ao longo do século.

 

mil graus Celsius é a temperatura da face do planeta Kelt-9b voltada para a sua estrela, revelaram em agosto astrônomos americanos em artigo na revista “Nature”. O planeta mais quente já descoberto está a cerca de 650 anos-luz da Terra, na constelação do Cisne. A temperatura ali é tão alta que sua atmosfera contém ferro e titânio em forma de vapor.

 

Enigma decifrado

A origem de um neutrino de alta energia foi enfim desvendada, a partir de observações feitas por uma equipe internacional de astrônomos no IceCube Neutrino Observatory, no Polo Sul, divulgadas na revista “Science”. Neutrinos são partículas subatômicas quase sem massa que não têm carga elétrica e, portanto, interagem raramente com o ambiente. A maioria deles vem do Sol, mas uma fração, que tem energias extremamente altas, origina-se do espaço profundo. Os astrônomos rastrearam um neutrino cósmico até um blazar (uma enorme galáxia elíptica com um buraco negro supermassivo girando rapidamente em seu centro) a 4 bilhões de anos-luz da Terra. Como os neutrinos cósmicos andam de mãos dadas com os raios cósmicos – partículas carregadas altamente energéticas que se chocam de forma contínua com nosso planeta –, a descoberta coloca os blazars também como aceleradores de pelo menos alguns dos raios cósmicos mais rápidos.

 

Forno chinês

Xangai: a maior cidade da China está na região mais ameaçada pelo calor (Foto: iStock)

Notícia preocupante para a Planície do Norte da China (a mais populosa região do país, hoje com 400 milhões de habitantes, que inclui Beijing e Xangai): segundo um estudo, até o fim do século a área será castigada por uma sucessão mortal de ondas de calor extremo causadas pelo aquecimento global e pela irrigação. À temperatura de bulbo úmido (medida que reflete as propriedades físicas de um sistema constituído pela evaporação da água no ar) de 35 °C, o corpo humano não se refresca ao suar e até pessoas saudáveis sentadas à sombra podem morrer em seis horas. Segundo a pesquisa, publicada em julho na revista “Nature Communications”, ondas de calor com temperatura de bulbo úmido de pelo menos 35 °C­­ poderão atingir a planície várias vezes entre 2070 e 2100 caso o aquecimento global não seja contido.

 

Energia 100% limpa

Fazenda eólica na Califórnia: o estado quer depender totalmente de energias renováveis até 2045 (Foto: iStock)

Enquanto o presidente americano Donald Trump tenta dinamizar a indústria dos combustíveis fósseis, as autoridades da Califórnia vão no sentido oposto. Em setembro, o governador californiano, Jerry Brown, assinou uma lei que compromete o estado a ter uma rede elétrica 100% limpa até 2045. “Essa lei e a ordem executiva colocam a Califórnia em um caminho para atingir as metas de Paris e além”, declarou Brown na cerimônia de assinatura do texto na capital do estado, Sacramento. Pelo menos 20 países e dezenas de metrópoles ao redor do mundo fizeram promessas semelhantes, mas a Califórnia – a quinta maior economia do planeta – é de longe a maior jurisdição a garantir o compromisso até agora.

 

Busca mais refinada

A nova escala aumenta o rigor na análise de possíveis sinais alienígenas (Foto: iStock)

Preocupados com alarmes falsos como a declaração de astrônomos russos em 2015 de que seus aparelhos haviam detectado um sinal misterioso de uma estrela longínqua, cientistas criaram uma nova escala para esse tipo de fenômeno. Denominada Rio 2.0, ela permite a avaliação de sinais detectados em buscas por inteligência alienígena de 0 (“nada empolgante”) a 10 (o equivalente a “sonda alienígena orbitando a Terra ou ET apertando sua mão”), segundo a equipe internacional responsável. A Rio 2.0 atualiza uma escala já usada por caçadores de alienígenas que atribui pontuações aos sinais do projeto Seti (sigla em inglês de “Busca por Inteligência Extraterrestre”), levando em conta tanto as implicações potenciais do sinal quanto a probabilidade de que ele seja genuíno.

COMPARTILHAR
blog comments powered by Disqus