Volta ao mundo

AFP

Mulheres da Índia

o caso da estudante Jyoti singh pandey, 23 anos, que morreu num hospital em 29 de dezembro, 13 dias após ter sido estuprada por seis homens num ônibus em nova Délhi, na Índia, levou milhares de indianos às ruas para manifestar-se contra a violência sexual, mas tudo indica que a luta promete ser demorada. episódios do gênero, antes não investigados, estão chegando à polícia e recebendo destaque na imprensa. Dezenas de casos mostram que o desrespeito à mulher é arraigado no país. em 11 de janeiro, por exemplo, a única passageira de um ônibus, de 29 anos, foi impedida de descer no seu destino, uma vila do estado de punjab, e levada para uma fazenda distante onde o motorista e cinco homens passaram a noite estuprando-a. o crime contra Jyoti está provocando mudanças numa sociedade que se supõe mais liberal do que os vizinhos islâmicos, mas cujas autoridades parecem insensíveis. a jornalista seema Mustafa, do centro de análise política em nova Délhi, disse ao jornal the guardian que antes a polícia não se dedicava “seriamente” a casos de estupro, o que induzia os criminosos à sensação de impunidade. para a advogada Menaka guraswamy, abriu-se uma ampla discussão sobre o que signifi ca ser uma mulher na Índia, sobretudo em relação ao assédio sistemático nas ruas e locais públicos. “o estupro por gangues é o fi m de um espectro de ofensas, não uma aberração”, ressalta.

Crosta devastada

Asteroides e cometas fi zeram um estrago na Lua bem maior do que os astrônomos imaginavam. Os dados de um mapa gravitacional do satélite feito pelas sondas da missão Grail, da Nasa, revelam um bombardeio de bilhões de anos que pulverizou 98% da crosta lunar, anunciou em janeiro a geofísica Maria Zuber, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), líder da missão. A descoberta indica que Mercúrio, Vênus, Terra e Marte também foram submetidos a
impactos maciços em seus primeiros bilhões de anos de vida.

A pátria das domésticas

Dados da Organização Internacional do Trabalho mostram que o Brasil é o país com maior número de empregados domésticos do mundo. Dos 52,6 milhões de pessoas que trabalham na atividade em 117 países, 7,2 milhões estão no Brasil – uma a cada oito. A Índia vem em segundo lugar, com 4,2 milhões, seguida pela Indonésia, com 2,4 milhões. A China ficou de fora do estudo. Do total brasileiro, em 2009, 83% (6,7 milhões) eram mulheres. Em cada cinco trabalhadoras negras, uma é doméstica. As brasileiras trabalham em média 36 horas por semana, índice mais próximo do padrão europeu do que da Arábia Saudita, Catar e Malásia, onde a média supera 60 horas semanais. A situação das domésticas brasileiras está melhorando com a diminuição da pobreza. O salário médio passou de R$ 333, em 2003, para R$ 489, em 2011 – aumento de 47%, ante 20% na média das outras profissões. Atualmente, cerca de 30% das empregadas têm carteira assinada. Eram 18% em 1993.

Crânios pontiagudos

Arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História do México descobriram em dezembro o primeiro cemitério pré-hispânico no Estado de Sonora, no noroeste do país. Dos 25 esqueletos achados, 13 apresentavam grandes deformações no crânio e 5, a arcada dentária mutilada. Dezessete tinham entre 5 meses e 16 anos de idade ao morrer. Os crânios pontiagudos, criados pela compressão de cintos desde o nascimento das crianças, eram marcas de beleza entre os maias do Yucatán. Já as alterações dentárias, registradas em corpos com mais de 12 anos de idade, lembram as feitas pela cultura Nayarit, do oeste do México (900 a 1200 d.C.), para marcar a passagem da infância para a adolescência. Para a arqueóloga Cristina García, do Inah, as descobertas indicam uma infl uência desconhecida dos povos mesoamericanos no norte do México.

Mais um metro de mar até 2100

O derretimento de geleiras na Groenlândia e na Antártida pode elevar o nível do mar em mais de um metro até 2100, avaliam 26 glaciologistas na revista Nature Climate Change de janeiro. O artigo estima a média de elevação em 29 centímetros até 2100, com 5% de possibilidade de superar 84 cm. Se for levada em conta a expansão da água aquecida, o número ultrapassa um metro. Os índices, superiores aos do relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, refletem estudos que apontam aceleração no degelo nos polos e a possibilidade de que o manto de gelo da Antártida Ocidental sofra um colapso parcial em 2100. Uma elevação do mar em um metro deslocaria milhões de habitantes de países baixos como Bangladesh e nações insulares do Pacífico, destruiria diques na Holanda e obrigaria megalópoles como Nova York e Tóquio a gastar bilhões de dólares em infraestrutura de proteção.

Trem voador

O aniversário de Mao Tsé-tung, 26 de dezembro, marcou a inauguração da mais longa linha de trem-bala do mundo, entre Pequim e Guangzhou (ex-Cantão). Os 2.298 quilômetros que separam as cidades, antes percorridos em 20 horas por trens, agora são vencidos em oito horas, a 300 km/h. A nova linha reforça a rede de trens-bala do país, iniciada em 2007, que já é a maior do planeta. O crescimento, porém, é crivado de denúncias de corrupção e suspeitas quanto à qualidade da rede. Em 2011, a colisão entre duas composições, em Wenzhou, matou 40 pessoas e feriu 200.

Maior trem do mundo

O maior trem do mundo em operação regular – com 336 vagões e 3,5 quilômetros de extensão – faz 12 viagens diárias para levar minério da companhia Vale, pela Estrada de Ferro de Carajás (PA), ao porto da Ponta da Madeira, em São Luís (MA). Em 2014, a empresa pretende ampliar o escoamento anual do minério dos atuais 130 milhões de toneladas para 150 milhões de toneladas. Em 2017, a capacidade será aumentada de novo, para 230 milhões de toneladas, dobrando o número de viagens. A Estrada de Ferro de Carajás receberá US$ 7,6 bilhões para construir 45 viadutos e 56 pátios para manobra e estacionamento de trens. Haja ferro.

Planeta Errante

Cientistas canadenses e franceses confirmaram, pela primeira vez, a existência de um planeta que não gira em torno de um sol. Situado a cerca de 100 anos-luz da Terra, o CFBDSIR2149 tem entre quatro e sete vezes a massa de Júpiter e é relativamente novo, com idade entre 50 milhões e 120 milhões de anos. A temperatura da sua superfície ronda 400°C. É a combinação dessas características que distingue o planeta de uma estrela anã marrom.

Artérias da economia

Os metrôs de São Paulo e do Rio são tímidos se comparados com os de Londres ou Nova York, mas a rede brasileira de linhas de transmissão de energia, com 111 mil quilômetros de extensão, é a terceira maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (300 mil km) e da Rússia (125 mil km). A teia administrada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) interliga quase todo o país, deixando de fora apenas parte do Pará e Estados da região Norte, nos quais está em expansão.

Por ela corre a eletricidade firme – 90% oriunda de fontes hidrelétricas renováveis – que move a oitava maior economia do mundo. O sistema permite que as regiões permutem energia entre si quando o nível dos reservatórios de uma delas está baixo. Como há diferentes regimes de chuvas no Sul, Sudeste, Norte e Nordeste, regiões de produção insuficiente podem usar a energia produzida em outras. No futuro, quando houver linhas também entre Porto Velho e Manaus,

a rede poderá “trocar” energia pelo país todo. O racionamento de 2001 já mostrou as fragilidades do sistema. Além de grandes perdas na transmissão de energia devido às longas distâncias, os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste respondem por cerca de 70% da capacidade de armazenamento do país. Quando falta chuva nessas regiões, especialmente em Minas Gerais, a caixa-d’água do Brasil, surge o risco de desabastecimento. Para diminuí-lo, desde 2001, o país aumentou em 56% sua capacidade de geração (sobretudo em termelétricas a carvão, óleo e gás natural) e em 54% o sistema de transmissão de energia, além de investir em outras fontes, como a eólica – uma fonte limpa e renovável, mas irregular e intermitente como o vento.

A falta de chuvas revive o risco de racionamento, embora as precipitações de janeiro tenham aliviado a situação dos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste. Em 17 de janeiro o nível da água estava em 31%, 6 pontos percentuais acima do limite de segurança definido pelo ONS.

É claro que expandir e consolidar o sistema custa caro. Ainda não há linhas prontas para integrar as novas usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte e vários parques eólicos, como o de Caetité (BA). Além disso, as novas hidrelétricas da Amazônia não têm reservatório, o que as torna mais vulneráveis ao regime dos rios. Especialistas como Luiz Pinguelli Rosa, da Coppe/UFRJ, sugerem que as termelétricas a gás gerem mais energia para dar segurança ao sistema.

Entretanto, as termelétricas já emitiram 15,3 milhões de toneladas de gás carbônico apenas entre outubro e dezembro de 2012, segundo a consultoria Way Carbon. Para o consultor Tasso Azevedo, do Ministério do Meio Ambiente, esse volume já supera as emissões de gases de efeito estufa oriundos do desmatamento. Com elas, a matriz energética brasileira, a mais limpa do mundo, torna-se mais suja.

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