Volta ao mundo

Turismo agoniza no Egito

A turbulência política no Egito está matando uma de suas principais atividades econômicas, o turismo. O ministro das Antiguidades do país, Mamdouh el-Damaty, advertiu ao canal de TV al-Mehwar que a arrecadação do setor caiu de cerca de US$ 415 milhões, em 2010, para US$ 17,4 milhões em 2014. Com a queda, de 95%, o total anual projetado é sufi ciente para apenas dois meses de salários da folha de pessoal do ministério. O número de turistas estrangeiros nos hotéis egípcios diminuiu de 14,7 milhões, em 2010, para 9,5 milhões, em 2013. Os resorts do Mar Vermelho foram os mais prejudicados. A visitação a locais históricos no Cairo, em Luxor e Assuã também caiu. 

Festa democrática

O primeiro turno das eleições brasileiras foi mais uma demonstração de que, apesar dos pesares, a democracia funciona no país tropical de 202 milhões de habitantes. Mesmo com quatro fusos horários, 115 milhões de eleitores votaram (142.822.046 registrados na Justiça Eleitoral) e conheceram os resultados no mesmo dia, graças ao sistema de urnas eletrônicas. Só para lembrar, os EUA ainda usam cédulas de papel nas eleições. Na eleição de 2000, pendências na contagem dos votos adiaram por mais de um mês a confi rmação do presidente americano George W. Bush. No Brasil, a identifi cação biométrica, presente nesta eleição em 762 dos 5.570 municípios, tende a melhorar o processo. Na contramão, o número de partidos com representação na Câmara aumentou para 28, a maioria sem diferenças substanciais entre si. Veja os números da festa.

Mar assassinado

o Mar de Aral, o ex-quarto maior lago do mundo, vai chegando a um fi m melancólico. A área original, de 68.000 km2 (metade do Amapá), começou a diminuir nos anos 1960, quando a extinta união soviética pôs em prática um megalomaníaco programa de irrigação de culturas de algodão baseado nos dois rios tributários do lago, o syr Daria e o Amu Darya. Antes repleto de peixes, o Aral foi secando e, em 1998, dividiu-se em duas partes – a menor ao norte, no cazaquistão, e a maior partilhada por uzbequistão, tadjiquistão e turcomenistão. o encolhimento seguiu em ritmo acelerado e agora, como revela uma foto da Nasa recémdivulgada, seu lado oriental secou totalmente. restam duas frações de água a oeste e a parte norte, que o cazaquistão isolou com uma barragem em 2005 e é abastecida pelo syr Daria. Nas terras secas há poluição por pesticidas e problemas de saúde. A região degradada tem o mais alto índice de mortalidade infantil da antiga união soviética. A bronquite crônica cresceu 3.000%, a artrite, 6.000% e, em partes do uzbequistão, o câncer no fígado subiu 200%. 

 

Esgoto artigo escasso

Uma pesquisa do Instituto trata Brasil revela que, em termos de tratamento de esgoto, as capitais brasileiras ainda dão vexame. A única que supera o percentual de 86%, considerado como o patamar de serviço universalizado, é curitiba (Pr), com 88,26%. As duas maiores cidades do país vão mal: são Paulo trata apenas 52,15% do seu esgoto, e o rio de Janeiro, 50,02%. No caso paulistano, a sabesp alega que usa uma metodologia diferente da adotada pelo trata Brasil e que, pelos seus cálculos, 75% do esgoto coletado na cidade é tratado. confira as dez capitais mais bem colocadas no ranking do saneamento.

Cigarro eletrônico na mira

A Organização Mundial da Saúde pôs o cigarro eletrônico em sua alça de mira. Em um relatório divulgado em agosto, ela frisou que o mercado global do produto, que já abrange 400 marcas e movimenta US$ 3 bilhões, exige uma regulação apropriada – “uma precondição necessária para estabelecer uma base científi ca na qual se julguem os efeitos de seu uso, e para assegurar que a pesquisa adequada seja conduzida, a saúde pública protegida e que as pessoas estejam cientes de seus potenciais riscos e benefícios”, afi rma. Na mesma época, a American Heart Association exigiu mais regulação para o produto, a fi m de mantê-lo longe dos jovens, e sublinhou que só apoia o uso de aparelhos que vaporizam eletronicamente a nicotina como último recurso para fazer fumantes desistir do cigarro.

Espécies inclassificáveis

Num grupo de organismos coletados em 1986 no mar a sudeste da Austrália, entre 400 e 1.000 metros de profundidade, havia duas intrigantes surpresas para os pesquisadores. Parecidas com cogumelos, as criaturas, que foram denominadas Dendrogramma, não se encaixam em nenhuma família de seres vivos do planeta, segundo a revista PLOS One. Elas são constituídas sobretudo de pele no exterior e de um estômago interno, separados por uma camada densa de um material gelatinoso. Os pesquisadores acreditam que as duas espécies, Dendrogramma enigmatica e Dendrogramma discoides, são parentes de organismos que viveram há 600 milhões de anos e constituiriam tentativas primitivas de vida multicelular. Os animais foram descritos em setembro. 

Verde traz saúde

Passar a morar em uma área urbana mais verde ajuda a melhorar nossa saúde mental por pelo menos três anos, afirmam cientistas da Universidade de Exeter (Inglaterra). Eles analisaram dados sobre mais de mil pessoas que haviam se mudado na mesma cidade ao longo de seis anos e as avaliações feitas por elas sobre seu bem-estar entre dois anos antes e três anos após a mudança. Para o pesquisador Ian Alcock, esse aumento de felicidade seria explicado pelo relaxamento que a imagem da vegetação traz, pela possibilidade maior de exercícios ao ar livre ou de interação social. Os pesquisadores notaram ainda que a saúde mental de quem se muda para uma área menos verde piora, mas a sensação diminui após um ano e, três anos depois, fica como antes da mudança. O estudo foi divulgado na revista Environmental Science and Technology. 

Plantas adaptáveis

Os vegetais são muito mais resilientes às mudanças climáticas do que se pensava, afirma a bióloga Regan Early, da Universidade de Exeter (Inglaterra). Ela avaliou como 51 espécies de plantas nativas da Europa e introduzidas nos Estados Unidos estavam se saindo no continente americano e descobriu que 22 delas, entre as quais o pinheiro-bravo, crescem hoje em climas bem diferentes do que os de suas áreas de origem. Para Regan, a mudança pode ser comparada à vivida por idosos que viajam para locais distantes e passam ali por experiências incomuns, como saltar de bungee jump. A adaptabilidade pode reduzir a ameaça à sobrevivência de várias espécies representada pela mudança climática. 

O ano em que o Ebola saiu da Àfrica 

Até 2013, o vírus Ebola estava restrito à África, seu continente de origem. o quadro mudou este ano: até 8 de outubro, segundo a organização Mundial da saúde (oMs), a doença matou mais de 3.400 pessoas na África ocidental (2.069 na Libéria, 739 na Guiné e 623 em serra Leoa) e chegou à espanha e aos estados unidos. o vírus é transmitido apenas pelo contato direto com fluidos corporais como suor, sangue ou vômito. Medidas como isolamento, quarentena, equipamentos de proteção e rastreamento dos contatos do doente facilitam seu controle. Mesmo assim, especialistas alertam que países que recebem muitos voos internacionais, como França, reino unido e EUA, são candidatos automáticos a abrigar novos casos, devido ao longo período de incubação da doença (de quatro dias a duas semanas). Na atual versão, a taxa de mortalidade do ebola é de 50%, o que dá ao vírus o terceiro posto entre os mais mortais de 2014. o primeiro deles é seu “primo” marburg, também originário da África oriental. Veja a lista sinistra dos dez piores vírus.

O manto de Harry Potter?

O manto da invisibilidade usado por Harry Potter não está longe de virar realidade. Pesquisadores do Instituto de Óptica da Universidade de Rochester (EUA) criaram uma solução relativamente barata para ocultar um objeto enquanto todo o resto permanece visível. O “manto” é na verdade um conjunto de lentes que, pela primeira vez, “proporciona um ocultamento multidirecional contínuo e tridimensional”, diz Joseph Choi, aluno de doutorado que participa do estudo. Nos testes, os pesquisadores ocultaram uma mão, um rosto e uma régua. Choi e o professor John Howell montaram seu aparato com cerca de US$ 1.000 e acreditam que uma versão doméstica dele pode sair por US$ 100.

Rota descongelada

Uma das poucas vantagens do aquecimento global está no desbloqueio de rotas de navegação fechadas pelo gelo. Em setembro, a Passagem Noroeste, que costeia o Arquipélago Ártico canadense, foi percorrida pela primeira vez por um cargueiro solo sem a ajuda de quebra-gelos. Capaz de romper gelo de até 1,5 metro de espessura, o navio MV Nunavik deixou a península do Labrador em 19 de setembro e 11 dias depois contornou Point Barrow (Alasca), rumo ao Estreito de Bering. A rota polar para o porto de Bayuquan, na China, é 40% menor do que a do Canal do Panamá. Com o trajeto, o navio deixou de emitir 1.430 toneladas de gasesestufa. Em setembro de 2013, a passagem havia sido vencida por um cargueiro ajudado por um quebra-gelo da Guarda Costeira.

 

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