Volta ao mundo

Grande desfile de Corais 

O Instituto Australiano de Ciência Marinha, ligado ao governo do país, quer usar a genética para salvar a Grande Barreira de Coral. estudos indicam que um aumento entre 1°C e 2°C nas áreas pressionadas por fatores como pesca e poluição ameaçaria a capacidade dos corais de recuperar-se e crescer. A instituição australiana e o Instituto havaiano de Biologia Marinha vão avaliar como uma “evolução assistida” ajudaria os corais a adaptar-se mais rapidamente à mudança climática. em janeiro, vários tipos de coral, das partes central (as mais afetadas) e meridional (as menos afetadas) da Grande Barreira, foram escolhidos e combinados por inseminação artificial num simulador marinho do instituto australiano. os pesquisadores esperam que os híbridos criados sejam mais resilientes às temperaturas mais altas. eles também querem saber se os novos seres podem mudar as comunidades microbianas e as algas que vivem no tecido dos corais, de modo que elas possam se adaptar ao aquecimento.


Um exemplar surrealista das formações da Grande Barreira de Coral australiana.

 

Metal antiágua

Cientistas da universidade de rochester (EUA) desenvolveram uma superfície metálica fortemente hidrofóbica (que repele a água). Aplicações de laser gravaram nas superfícies dos metais usados no experimento (bronze, titânio e platina) nanoestruturas que lhes dão essas características. “o material repele a água tão fortemente que ela salta para fora”, diz Chunlei Guo, professor de ótica da universidade de rochester. “A seguir, ela pousa na superfície de novo, é empurrada novamente e só então desliza para fora da superfície.” o material poderá ser usado, por exemplo, para evitar ferrugem e congelamento de água na fuselagem de aviões e carros. Por ora, os pesquisadores levam 60 minutos para gravar 6,5 cm² da nanoestrutura na superfície. o estudo saiu em janeiro no Journal of Applied Physics. 

 

MP3 dos sonhos

Milhões de pessoas ouvem música digital (em geral no formato MP3) todos os dias em aparelhos como o iPod, sem se queixar da qualidade de reprodução. Mas muitos profissionais do ramo torcem o nariz para os resultados. O músico canadense Neil Young desenvolveu um tocador de altíssima definição, o Pono (“pureza”, em havaiano), e lançou uma campanha pela internet para financiar o projeto. Com US$ 6 milhões arrecadados, Young conseguiu pôr o produto nas lojas em janeiro. De qualidade reconhecidamente superior, o Pono é US$ 100 mais caro do que o iPod Touch e, por enquanto, só pode ser entregue nos Estados Unidos. Os álbuns disponíveis para ele também custam mais: 1989, de Taylor Swift, sai por US$ 19,79 na Pono Music Store e US$ 12,99 no iTunes.


Neil Young

 

Caminhada salvadora

Vinte minutos de caminhada por dia já bastam para evitar morte prematura, afirmam cientistas europeus. Examinando dados sobre obesidade e exercícios físicos de 334.161 homens e mulheres, companhados durante 12 anos, os pesquisadores notaram que as pessoas que praticaram níveis moderados de exercícios diários (uma boa caminhada de 20 minutos) tinham uma tendência entre 16% e 30% menor de morrer do que os classificados como sedentários. Embora o impacto da atividade física fosse maior entre pessoas com peso normal, até obesos se benefíciaram com a prática. Fazer algum tipo de exercício reduziu o risco de morte prematura em 7,35%.

 

Museu de OVNIs

A Força Aérea dos Estados Unidos liberou em janeiro os arquivos relativos aos 12.618 casos de objetos voadores não identificados (OVNIs ou UFOs, na sigla em inglês) estudados pelo projeto governamental Blue Book entre 1947 e 1969, mas não facilitou para os interessados: quem quiser examinar o material terá de fazê-lo no Arquivo Nacional, em Washington. A má vontade oficial, porém, não foi problema para um aficionado pelo tema, John Greenewald. Ele reuniu as mais de 100 mil páginas de documentos liberados, digitalizouas e as pôs em um arquivo online gratuito, o Project Blue Book Collection, através do site The Black Vault (theblackvault.com). Greenewald diz que sua intenção é “dar ao público a maneira mais fácil possível de acessar essas coisas” e despertar curiosidade para outros casos ligados a UFOs ainda não liberados pelo governo.


Suposta foto de um OVNI tirada no Alasca, em 1960.

 

Na pista de Cervantes 

A busca pelos restos mortais de Miguel de Cervantes, o autor do clássico Dom Quixote de La Mancha, chegou ao fim. Em janeiro, pesquisadores acharam um caixão com as iniciais M. C. na cripta do convento das trinitárias, em Madri, onde o escritor foi enterrado em 1616 e que era investigado desde abril de 2014. As iniciais, com cerca de 2,5 centímetros cada, foram feitas com pregos. Apesar do mau estado, os pesquisadores ficaram animados com a descoberta. Algumas semanas depois, oficialmente, os legistas confirmaram que o caixão é mesmo de Cervantes. Os especialistas encontraram as conhecidas lesões ósseas que o escritor sofreu na batalha de Lepanto, em 1571, quando os cristãos acabaram com o domínio turco no Mediterrâneo: uma atrofiado metacarpo da mão esquerda e marcas de balas de bacamarte. Também avaliaram os restos de fibras têxteis do sudário franciscano com que ele foi enterrado e a madeira do caixão, que pode ser datada com grande grau de certeza.

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Perigo em cigarros eletrônicos

Os cigarros eletrônicos estão perdendo a aura de substituto amigáveis dos cigarros convencionais. Um estudo da Universidade Estadual de Portland (EUA) divulgado na revista New England Journal of Medicine mostra que a exposição dos usuários de cigarros eletrônicos ao formaldeído (substância cancerígena também presente no tabaco) é entre 5 e 15 vezes maior do que a dos fumantes convencionais. Outra pesquisa, feita com ratos na Universidade Johns Hopkins, revelou que o vapor dos chamados e-cigarettes possui radicais livres tóxicos similares aos encontrados no tabaco e na poluição do ar – algo inesperado, já que esse vapor não possui produtos de combustão nem o alcatrão liberado pela queima do tabaco. 

 

Computador holográfico

A Microsoft anunciou um produto para revolucionar o entretenimento: o Holo- Lens, óculos holográficos que “projetam” conteúdos no campo de visão do usuário. Dá para ver, por exemplo, um dragão na cozinha, o conde Drácula no sofá da sala ou um gráfico tridimensional do movimento de ações na parede do escritório. A aparência é de holograma, mas o resultado está associado à realidade aumentada (a integração de informações virtuais a visualizações do mundo real). Já se preveem aplicações com sofisticados níveis de imersão em áreas como games e materiais educativos. 

 

Bebê de três pais

o reino unido tornou-se em fevereiro o primeiro país a aprovar por lei a reprodução assistida que usa material genético de três pessoas. A técnica, criada por cientistas da universidade de Newcastle, busca evitar que mães transmitam aos filhos doenças genéticas ligadas às mitocôndrias (estruturas celulares responsáveis pela produção de energia). Problemas na mitocôndria atingem uma em cada 5 mil crianças e causam doenças neurodegenerativas, como esclerose lateral amiotrófica e doença de Alzheimer. A técnica consiste em extrair o núcleo saudável do óvulo da mãe (contendo o DNA que transmite as características hereditárias), descartando o DNA mitocondrial defeituoso, e implantá-lo num óvulo cedido por uma doadora com DNA mitocondrial saudável. o óvulo resultante é então fertilizado com espermatozoides do pai. A criança resultante tem as características genéticas do pai e da mãe, mas não a doença mitocondrial desta última. A presença de material genético da doadora do óvulo na criança é inferior a 1%. A proposta de uma lei sobre o tema era debatida desde 2008 no parlamento britânico, mas só em fevereiro foi votada e aprovada, com 382 votos a favor e 128 contra. A técnica desperta polêmica entre religiosos e não é unanimidade entre os cientistas, mas boa parte deles a endossa, como a geneticista Mayana Zatz. “Acho muito importante que uma mulher com doença mitocondrial possa ter filhos sem transmitir a eles a doença. E a única maneira é essa, já que as mitocôndrias estão presentes nos óvulos”, afirma ela. 

 

Reproduções ao vivo

O trabalho de esculpir em terracota os 7 mil soldados achados em Xian, na China, foi mais complexo do que se pensava: cada peça reproduz uma pessoa real, concluíram arqueólogos do University College de Londres (UCL) e do Museu do Mausoléu Imperador Qin Shi Huang, de Lintong (China). Usando imagens tridimensionais, eles recriaram digitalmente as obras, enterradas há 2 mil anos com os restos do primeiro imperador chinês, Qin Shi Huang, e descobertas há 40 anos. A seguir, mapearam em detalhe as orelhas de 30 soldados. Segundo Andrew Bevan, do UCL, esses órgãos são tão únicos quanto impressões digitais. Constatou-se que não havia duas orelhas totalmente iguais, e a variação observada no grupo estava dentro do esperado numa população humana. O resultado reforça a ideia de que as peças foram produzidas não em linhas de montagem, mas em séries de trabalho em estúdio. Soldados devem ter posado para as estátuas. 

 

Belezura marinha

A figura ao lado é o peixe-diabo-negro (Melanocetus johnsonii), flagrado aqui pela primeira vez em seu habitat nas profundezas do mar por cientistas do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey, na Califórnia. o peixe, que pode viver a até 3 mil metros de profundidade, foi filmado em um cânion a 600 metros abaixo do nível do mar por um robô comandado a distância pelos pesquisadores. o exemplar observado era uma fêmea com 9 centímetros de comprimento. elas podem atingir até 20 cm, enquanto os machos têm apenas cerca de 10% do tamanho delas. A antena que os animais possuem na parte da frente, iluminada por bactérias luminescentes, serve para atraír presas. 


Um peixe-diabo-negro posando para a foto.

 

Renascimento nórdico

A Islândia converteu-se ao cristianismo há mil anos, mas os deuses nórdicos estão voltando a ser populares por lá. Em fevereiro começou na capital, Reykjavik, a construção do primeiro grande templo dedicado ao panteão nórdico desde a era viking. O edifício, que abrigará cerimônias como casamentos e funerais, é da Asatruarfelagid, associação que promove a fé nos antigos deuses. “Não creio que alguém acredite num homem caolho (o deus Odin) montado num cavalo com oito patas”, explica Hilmar Orn Hilmarsson, grão-sacerdote da Asatruarfelagid. “Vemos essas histórias como metáforas poéticas e manifestações das forças da natureza e da psicologia humana.” O novo paganismo nórdico tem crescido nos últimos dez anos e, em 2014, reunia 2.400 adeptos entre os 330 mil islandeses.

 

Arara-azul salva

Sob risco de extinção nos anos 1980, quando havia apenas 1.500 exemplares, a arara-azul deu a volta por cima. o Ministério do Meio Ambiente anunciou em janeiro que a espécie deixou a lista de animais ameaçados. Antes vítima sobretudo de destruição do habitat e tráfico ilegal, a ave passou a ter mais proteção nas áreas que ocupa. esse fator, aliado à redescoberta de indivíduos em regiões onde supostamente estariam extintos, levou a espécie a se multiplicar, e hoje há mais de 5 mil desses pássaros apenas no Pantanal. A bióloga Neiva Guedes, idealizadora do Projeto Arara Azul, lembra que não se pode baixar a guarda: “Para mantermos a conservação, é preciso continuar estudando as relações biológicas, as interações ecológicas e a dinâmica do meio em que vivemos”.

 

Sistema solar ancestral

Uma equipe internacional de cientistas descobriu, com imagens do telescópio espacial Kepler, cinco planetas bem antigos, com dimensões que variam entre as de Mercúrio e as de Vênus, orbitando uma estrela da Via Láctea, a Kepler 444. Localizado a 117 anos-luz do nosso planeta, na direção da constelação de Lira, esse sistema solar tem cerca de 11,2 bilhões de anos de idade, mais do que o dobro da Terra (que tem “apenas” 4,5 bilhões de anos). Embora os planetas não comportem vida como a que conhecemos, a descoberta fortalece a hipótese de que há outros sistemas solares bem mais antigos do que o nosso. Em consequência, outras formas de inteligência podem ter surgido bem antes da humana. O estudo foi publicado em janeiro na revista The Astrophysical Journal. 

 

Santuário minado

A fronteira de mais de 1.400 quilômetros entre o Irã e o Iraque, que possui cerca de 20 milhões a 30 milhões de minas terrestres enterradas por conta da guerra entre os dois países nos anos 1980, tornou-se um paraíso para a vida silvestre local. o exemplo mais notável é a multiplicação do leopardo-persa, antes ameaçado por caçadores clandestinos e pela destruição do seu habitat. o animal, que raramente põe todo o seu peso sobre uma pata, é muito leve para detonar as minas de fabricação soviética. estima-se que haja cerca de mil leopardos-persas atualmente, a maioria na fronteira Irã-Iraque. os ambientalistas locais encontram-se agora na inusitada situação de opor-se à remoção das minas. 

 

Colapso revisto

A tese da devastação causada pelo desmatamento e pela agricultura intensiva na Ilha de Páscoa, um dos exemplos mais importantes da ruína de uma civilização descritos pelo geógrafo americano Jared Diamond no best-seller Colapso, terá de ser revista. Em um estudo divulgado pela revista PNAS, cientistas americanos liderados por Christopher Stevenson, da Virginia Commonwealth University, dataram ferramentas agrícolas em seis sítios arqueológicos da ilha e descobriram que só houve redução clara no número desses instrumentos em dois deles. Nos demais, não foram notadas diferenças até o século XIX. Outros estudos revelaram que o solo pascoano não apresentava erosão significativa antes da chegada dos europeus à ilha, em 1722. A queda abrupta da população local, de 15 mil pessoas para as 2 mil encontradas em 1722, é explicada hoje por epidemias levadas pelos próprios europeus. Sobraram basicamente os moais, as grandes estátas de pedra daquela civilização.

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