Volta ao mundo

Símbolo silenciado

Big Ben (à direita, ao lado de um dos sinos auxiliares): sem badaladas até 2021 (Foto: AFP)

O Big Ben – o sino principal (cercado por outros quatro menores) da torre do relógio do Parlamento britânico, em Londres – teve sua atividade interrompida em 21 de agosto, depois de trabalhar durante 157 anos. O motivo é mais do que compreensível: o relógio precisa passar por reparos e manutenção, e os sinos da torre não poderiam funcionar enquanto os encarregados do serviço estivessem por lá. O problema que incomoda muitos britânicos (e, por tabela, os turistas que gostam de fotografar a torre) é o tempo durante o qual o sino não vai tocar: quatro anos. Ouvidas na abertura de alguns dos boletins noticiosos mais importantes da rede BBC, as badaladas do Big Ben são parte inseparável dos sons londrinos. Por causa desse hábito, tanto a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, quanto seu ministro do Brexit, David Davis, manifestaram seu desagrado em relação ao longo intervalo (Davis classificou-o de “loucura”). Mas, por enquanto, a programação do conserto segue o plano previsto: badaladas, só em 2021 – ou em ocasiões especiais, como a virada do ano.

 

aumentou, aproximadamente, a temperatura na região urbana de São Paulo nos últimos 70 anos, segundo estudo publicado em agosto no International Journal of Climatology. A elevação, equivalente à prevista para os próximos cem anos, praticamente acabou com a ocorrência típica da garoa e fez crescer a incidência de chuvas extremas na capital paulista.

 

Vigilante espacial

A Curiosity em Marte: a Nasa quer evitar que humanos contaminem o espaço e vice-versa (Foto: iStockphoto / Nasa)

A Nasa, agência especial americana, divulgou em agosto que procura um profissional para evitar tanto que os humanos contaminem outras partes do universo quanto que alienígenas infectem a Terra. O anúncio diz: “A proteção planetária está preocupada com a prevenção da contaminação orgânica e biológica na exploração espacial humana e robótica”. O salário de “agente de proteção planetária” é apreciável: US$ 187 mil anuais mais benefícios, durante três anos (com possibilidade de cinco anos adicionais). A ocupante do cargo desde 2014, Catharine Conley, está sendo realocada para o Escritório de Segurança e Garantia da Missão da agência. Entre os requisitos exigidos para o cargo estão um ano de serviço em órgãos do governo, formação avançada em ciências físicas, engenharia ou matemática e habilidades diplomáticas a serem usadas em “discussões multilaterais extremamente difíceis e complexas”.

 

Clima mortal

Daca, a capital de Bangladesh: entre as regiões ameaçadas (Foto: AFP)

Em certas regiões do mundo, o simples ato de sair de casa poderá ser fatal até o fim do século, afirmam cientistas americanos em um artigo publicado em agosto na revista Science Advances. Os pesquisadores, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), analisaram de que modo a umidade muda a forma como os corpos das pessoas podem lidar com o calor. As temperaturas e a quantidade de umidade indicam se o corpo será ou não capaz de esfriar. A evidência baseia-se em estudos recentes que mostram os efeitos mais mortais do clima quente provêm de uma combinação de alta temperatura (acima de 30oC) e alta umidade. Segundo a pesquisa, as regiões que provavelmente serão mais atingidas no fim do século incluem o norte da Índia, o sul do Paquistão e Bangladesh, onde moram 1,5 bilhão de pessoas.

 

Asfalto branco

Tinta branca no asfalto: redução na temperatura de até 7ºC (Foto: Divulgação)

Situada numa região desértica e enfrentando temperaturas que no verão podem passar de 40oC, Los Angeles (EUA) está testando o “cool pavement” (pavimento fresco) – cobrir o asfalto com tinta branca, que reflete a luz do Sol. Em sua condição normal, o asfalto, de cor escura, absorve até 95% da radiação solar. Pelo menos nos testes, a proposta funciona bem: nas vias cujo pavimento está pintado de branco, as temperaturas caem até 7oC. Los Angeles espera que seu pioneirismo seja seguido por outras cidades do mundo que enfrentam o mesmo problema.

 

Cheiro convidativo

Após algum tempo na água, o odor do plástico lembra o de alimento para os peixes (Foto: iStockphoto)

Pesquisadores americanos podem ter descoberto por que o plástico tem sido encontrado no interior de peixes: após algum tempo na água, ele passa a cheirar como alimento para esses animais. Segundo o estudo, publicado em agosto na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, o perigo aumenta conforme esse material sintético e tóxico se divide em fragmentos menores a ponto de penetrar na corrente sanguínea e até mesmo no tecido muscular. Desde 1950 foram fabricados 6,3 bilhões de toneladas de plástico, a maior parte dos quais tem sido descartada na natureza sem maiores cuidados. Mais de 50 espécies de peixes comem plástico e 700 espécies marinhas estão expostas ao problema. Um estudo publicado na revista Science em 2016 revelou que os filhotes de perca preferem plástico a plâncton, sua alimentação natural.

 

Superdoadores

(Foto: Corbis)

Desde o ano 2000 não havia uma doação assim: em agosto, o americano Bill Gates doou 64 milhões de ações da Microsoft, companhia da qual é cofundador, com valor aproximado de US$ 4,6 bilhões, segundo o órgão que regula as empresas com ações negociadas em bolsas nos Estados Unidos. O nome do beneficiário não foi divulgado, mas a maior parte das doações de Gates é destinada à Fundação Bill & Melinda Gates, responsável por seus investimentos em projetos filantrópicos. Mesmo com a recente doação, Gates continua a ser o homem mais rico do mundo. Conheça a seguir os maiores doadores de dinheiro do mundo no levantamento mais recente do gênero, divulgado em 2015 pelo site Business Insider.

 

Ouro contra o câncer

Cientistas das universidades de Edimburgo (Escócia) e de Saragoça (Espanha) divulgaram em agosto um estudo no qual se mostra que o ouro aumenta a eficiência de remédios que combatem células cancerosas no pulmão. O metal é considerado um elemento seguro e capaz de acelerar reações químicas. A estratégia adotada pelos pesquisadores foi inserir nanopartículas de ouro em um dispositivo químico, colocado no cérebro de um peixe-zebra, com o objetivo de acelerar as reações desejadas sem desencadear efeitos colaterais. Os cientistas acreditam que a nova técnica, embora ainda não testada em humanos, poderá ser usada futuramente em tratamentos de quimioterapia para atingir as células cancerosas sem danificar tecidos sadios.

 

Combustível de milho

A usina, quando ainda estava em construção: primeira dedicada exclusivamente ao etanol de milho (Foto: Divulgação)

Enquanto os produtores brasileiros de etanol de cana-de-açúcar se esforçam para voltar a tornar seu negócio lucrativo, os de milho podem até se dar ao luxo de investir em novas possibilidades para seu cultivo. Em agosto, a americano-brasileira FS Bioenergia inaugurou em Lucas do Rio Verde (MT) a primeira usina de etanol feito exclusivamente de milho no país (já se fabricava etanol de milho em usinas de etanol de cana). As instalações, que custaram R$ 450 milhões, deverão produzir inicialmente 240 milhões de litros de etanol de milho por ano, além de 180 mil toneladas de farelo, 6 mil toneladas de óleo de milho e energia. Espera-se que a produção de etanol seja duplicada, de olho também no programa RenovaBio, que pretende expandir a produção de biocombustíveis para atingir as metas de redução de emissão de poluentes definidas no Acordo de Paris.

 

Fogo na Groenlândia

(Foto: Nasa/Esa)

Associada a muito gelo e neve, a Groenlândia, ilha no extremo norte da Terra, foi castigada por incêndios de grandes dimensões este ano, indicam imagens de satélite. Segundo essas fotos, em 2017 o fogo, no oeste da ilha, já devastou uma área no mínimo duas vezes maior ou durou pelo menos duas vezes mais do que em qualquer outro ano a partir de 2002, quando as primeiras fotos de satélite foram batidas. Em agosto, o professor Stef Lhermitte, da Universidade de Delft (Holanda), comentou que “incêndios florestais já haviam ocorrido no passado na Groenlândia, mas 2017 tem sido excepcional em termos de número de detecções de incêndios ativos”. Segundo Lhermitte, há relatos de um grande incêndio em 1966, mas não existem imagens que deem a dimensão de seu tamanho. Já em 2017 ocorreu “o maior nos registros de satélite de que tenho conhecimento”, afirmou.

 

Aprendizado no sono

(Foto: iStockphotos)

Um velho anseio dos alunos preguiçosos pode estar mais próximo de se tornar viável: é possível aprender enquanto dormimos, afirmam neurocientistas franceses – mas só em determinadas fases do sono. As pesquisas anteriores obtiveram resultados contraditórios, favoráveis e desfavoráveis à hipótese. O estudo francês, publicado em agosto na revista Nature Communications, explica o porquê: o cérebro consegue reter memórias apenas durante o sono REM (sigla em inglês de movimento ocular rápido), durante o qual sonhamos, e o não REM leve (que abrange as primeiras duas fases das quatro desse tipo de sono). A descoberta foi feita medindo-se a atividade cerebral de voluntários submetidos a diversos sons enquanto dormiam.

 

Super-terras próximas

O sistema planetário de Tau Ceti: semelhanças com o nosso (Foto: iStockphoto / M. Garlick/Universidade de Warwick

Dois planetas que giram ao redor de uma estrela como o nosso Sol poderiam abrigar formas de vida como as terrestres, segundo pesquisadores ingleses. Os dois mundos, com tamanho 70% maior do que o da Terra – os menores já encontrados em torno de uma estrela parecida com o Sol –, estão nas fronteiras da “zona habitável” de Tau Ceti, a 11,9 anos-luz de distância, e integram um sistema planetário de dimensões similares às do nosso. A descoberta evidencia a cada vez maior capacidade dos cientistas de distinguir corpos planetários de menor porte no espaço e sugere que poderemos encontrar em breve outros planetas habitáveis como a Terra, disseram os pesquisadores, da Universidade de Hertfordshire, em artigo publicado em agosto na revista The Astronomical Journal.

 

Células transformadas

A técnica americana: revolução (Foto: The Ohio State University Wexner Medical Center)

Uma técnica desenvolvida na Universidade Estadual de Ohio (EUA) vai revolucionar o tratamento de feridas, nervos, vasos e órgãos danificados. A Nanotransfection Tissue (TNT) utiliza a nanotecnologia embutida em um microchip para converter células da pele em outros tipos de células, via injeção do código genético desejado. Uma vez na pele, o chip cria células especializadas em “menos de um segundo”, dizem os cientistas. Eles usaram a TNT para transformar células da pele de ratos e porcos em células de vasos sanguíneos e células nervosas. Uma semana depois, as células formaram novos vasos sanguíneos e tecidos nervosos. A notícia foi divulgada em agosto na revista Nature Nanotechnology.

 

Elo descoberto

Chilessauro: no meio do caminho de duas subordens de dinossauros (Foto: G. Lio)

Um dinossauro esquisito cujos fósseis foram encontrados no sul do Chile há 13 anos é um elo na evolução desse grupo de répteis, afirmam cientistas britânicos. Em artigo publicado em agosto na revista Biology Letters, eles afirmam que o Chilesaurus diegosuarezi preenche uma lacuna evolucionária entre dois grandes grupos de dinossauros. Ao ser apresentado ao mundo, em 2015, o chilessauro, embora vegetariano, foi classificado como terópode (dinossauro bípede, carnívoro e onívoro, como o velociraptor e o tiranossauro). A postura ereta, as fortes patas traseiras e os pequenos membros dianteiros do chilessauro combinam com os terópodes, mas a estrutura dos quadris semelhante à de aves e os dentes achatados, típicos de herbívoros, aproximam-no da subordem dos ornitísquios, como o estegossauro e o triceratops. A pesquisa revela que o bicho era mais ornitísquio do que terópode, mas atesta uma proximidade entre essas subordens até então desconhecida.

 

mil quilômetros vão separar a Terra do asteroide 2012 TC4 em 12 de outubro, de acordo com cientistas europeus. A distância é pequena em termos espaciais (satélites geoestacionários orbitam nosso planeta a cerca de 36 mil quilômetros), mas não representa ameaça. O asteroide, do tamanho de uma casa, havia passado a quase 90 mil quilômetros da Terra em 2012.

 

Arte em 3D

Reproduções em 3D de peças antigas: nova tendência na China (Foto: AFP)

Os chineses estão investindo firmemente na impressão em três dimensões, e um bom exemplo disso é um pequeno estúdio e fábrica de Xian, capital da província de Shaanxi que ficou famosa por abrigar o famoso exército de guerreiros de terracota. A empresa utiliza a tecnologia 3D para reproduzir objetos artísticos da antiguidade, como os da foto acima, que são vendidos a lojas de museus e colecionadores particulares. A impressão 3D se tornou na China um negócio em franca expansão, que inclusive já foi incorporado à política industrial do país.

 

Contra-ataque ecológico

A FKL em ação: meta é reconstituir a flora original (Foto: AFP)

O avanço avassalador do plantio de palma (ou dendê) na Indonésia – cujo óleo tem diversas utilidades, entre elas a de ser um substituto do diesel – tem enfrentado alguns reveses, como na área de Aceh Tamiang, na província de Aceh (norte da ilha de Sumatra). Ali, a organização ambientalista Forum Konservasi Leuser (FKL) está arrancando as plantações ilegais de palma e substituindo-as por árvores da floresta tropical nativa. A região é lar de espécies animais ameaçadas de extinção, como orangotangos, tigres-de-sumatra e elefantes.

 

Programadora para idosos

Masako no trabalho: contratada da Apple (Foto: AFP)

Moradora de Fujisawa (cidade localizada na região metropolitana de Tóquio), a japonesa Masako Wakamiya, de 82 anos, ainda trabalha, e numa condição bastante peculiar – ela é uma programadora de computação. Sua tarefa é criar aplicativos para o iPhone, o smartphone da americana Apple, que sejam acessíveis para os idosos, uma necessidade que não para de crescer no mercado japonês. Quando começou a trabalhar, décadas atrás, Masako ainda utilizava o ábaco para fazer cálculos. Considerada uma pioneira em seu setor, ela está entre as pessoas mais velhas do mundo a desenvolver programas para o iPhone.

 

vezes o tamanho do Distrito Federal é a extensão atual da zona morta do Golfo do México localizada na foz do rio Mississippi, no litoral da Louisiana. A área, de 22.729 km2, é a maior já registrada pela região desde que ela começou a ser monitorada, em 1985. Na zona morta, os seres vivos não têm outra opção afora migrar.

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