Volta ao mundo

Nevasca do século

Escavadeira ajuda a retirar neve da Praça Vermelha: precipitação recorde em 100 anos (Foto: AFP Photo / Vasily Maximov)

Numa era de eventos climáticos extremos notáveis (confira também aqui), não surpreende muito que Moscou, a capital russa, tenha enfrentado no primeiro domingo de fevereiro a queda de 43 centímetros de neve – mais da metade do que cai em média na cidade em um mês, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia local. (No dia seguinte, foram mais 23 centímetros.) “É a primeira vez em cem anos que tivemos tanta neve”, disse o vice-prefeito moscovita, Piotr Biriukov. Com tamanha precipitação e temperatura de 13 graus negativos, os contratempos naturalmente se multiplicaram – voos foram cancelados nos aeroportos, o trânsito ficou caótico e os pedestres tinham dificuldade para contornar montes brancos nas ruas que chegavam a 1 metro de altura. Cerca de 2 mil árvores caíram devido ao peso da neve, matando ao menos uma pessoa. A situação levou o governo russo a convocar as Forças Armadas para prestar auxílio à cidade. Na mesma época, Paris ainda sofria com mais uma cheia histórica do rio Sena. E no Rio de Janeiro, entre a noite do dia 14 e a madrugada do dia 15 de fevereiro choveu 75% do volume previsto para o mês inteiro. Para os negacionistas da mudança climática, porém, está tudo normal…

 

Insetos a distância

Dar tapas nos mosquitos muda nosso odor corporal (Foto: iStockphotos)

Por que algumas pessoas são mais picadas por insetos, enquanto outras ficam praticamente incólumes? Cientistas da Universidade de Washington (EUA) encontraram uma explicação curiosa para isso. Em artigo publicado em janeiro na revista Current Biology, eles descrevem um teste no qual deixaram insetos escolher entre mangas de roupas com odores humanos e outras sem cheiro. A preferência foi pelos perfumes humanos (mais acentuada em alguns casos do que em outros). No teste seguinte, usaram insetos expostos a odores humanos e a vibrações mecânicas (como as de alguém que estapeia o braço ao sentir uma picada), e dessa vez não houve preferência pelo cheiro humano. “Uma vez que aprenderam tal associação, eles refrearam essas respostas”, afirma Jeffrey Riffell, coautor do estudo. O hábito de dar tapas nos autores das picadas altera o odor corporal e, no final, ajuda a afastar esses agressores.

 

Peste explicada

A epidemia que dizimou 15 milhões de astecas no México entre 1545 e 1550, ajudando os espanhóis a vencer essa civilização, finalmente foi identificada. Segundo cientistas alemães, americanos e mexicanos, a doença, chamada cocoliztli (“pestilência”, na língua nahuatl), foi causada pela bactéria salmonela. Os sintomas eram febres elevadas, dores de cabeça e escorrimento de sangue dos olhos, do nariz e da boca, e a morte vinha depois de três ou quatro dias. Os pesquisadores identificaram o agente infeccioso em restos mortais de dezenas de pessoas enterradas no campo de Yucundaa-Teposcolula, em Oaxaca. A salmonela chegou ao México provavelmente nos navios espanhóis. O estudo foi publicado em janeiro na revista científica Nature, Ecology and Evolution.

 

mil anos atrás, e não 100 mil anos, seria a época em que os modernos humanos deixaram a África, de acordo com cientistas israelenses. Eles descobriam uma mandíbula fossilizada em uma caverna em Mislyia, no norte de Israel, datada de 194 mil anos atrás. O achado sugere ainda que houve diversas ondas migratórias entre a Europa e a Ásia.

 

Macacos clonados

Zhong Zhong: clonado com a técnica usada no caso de Dolly (Foto: Divulgação)

A pioneira clonagem da ovelha Dolly, há 22 anos, teve desdobramento: em 24 de janeiro, pesquisadores da Academia de Ciências da China apresentaram na revista Cell os macacos Zhong Zhong e Hua Hua (então respectivamente com oito e seis semanas de vida), os primeiros primatas clonados segundo a técnica usada décadas antes. O método, denominado clonagem por transferência nuclear de células somáticas, envolve retirar a informação genética contida no núcleo de uma célula somática e depois inseri-la em um óvulo cuja própria informação genética fora previamente extraída. A seguir, esse óvulo é desenvolvido até a fase de embrião e implantado em uma fêmea da espécie. Para os pesquisadores chineses, o sucesso no caso de Zhong Zhong e Hua Hua significa uma nova possibilidade de estudar doenças humanas – mas, para muitos cientistas, ele indica que a clonagem humana já é possível.

 

Música contra a demência

Musicoterapia: benefícios comprovados (Foto: iStockphotos)

A ideia de que ouvir música faz bem ganhou um novo reforço com a publicação de um estudo sobre os efeitos dos sons musicais em pacientes com demência. De acordo com o trabalho, realizado por instituições britânicas e apresentado na Câmara dos Lordes em janeiro, a música pode ajudar pessoas com demência a lembrar-se de informações e reduz nelas a incidência de sintomas como ansiedade, agitação e agressividade. Os autores do estudo propõem que se invista mais em musicoterapia no Sistema Nacional de Saúde e que se façam campanhas nacionais nas quais sejam reconhecidos os efeitos benéficos da música nessa área.

 

Obstáculo à energia solar

Enquanto estimula a moribunda indústria do carvão, o presidente americano Donald Trump atrapalha o setor das energias renováveis. Em janeiro, ele impôs uma tarifa de 30% para painéis solares importados, alegando proteger a indústria nacional. Mas para estudiosos da área, o imposto – que cairá para 15% após quatro anos – deverá fazer os EUA fecharem mais empregos do que vão criar, além de atrasar o crescimento das energias limpas no mercado local. Só em 2018, 23 mil profissionais do setor perderão seus empregos, segundo a Associação das Indústrias de Energia Solar. O custo dos painéis também deverá subir, impactando 130 mil trabalhadores da área de instalação desses aparelhos. Instalar painéis em telhados hoje é 70% mais barato do que em 2010 nos EUA.

 

Camada de ozônio em recuperação

Buraco de ozônio sobre a Antártida: diminuição constante (Foto: Nasa)

Em meio a tantas notícias ambientais ruins, há pelo menos uma boa: a camada de ozônio sobre a Antártida continua a se recuperar. Segundo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters e baseado em imagens de satélite, a redução na camada durante o inverno antártico (do início de julho a meados de setembro) de 2016 foi 20% inferior à do mesmo período em 2005. A mudança está ligada às regulamentações internacionais adotadas em 1987 contra os clorofluorcarbonos (CFCs), substâncias antigamente usadas como aerossóis e gases para refrigeração. A redução da camada de ozônio aumenta a entrada de raios ultravioleta na atmosfera, o que causa problemas como câncer de pele, catarata, diminuição do fitoplâncton e redução das colheitas. “Podemos ter vencido a crise da redução de ozônio”, declarou a cientista Susan Strahan, da Nasa, a respeito da descoberta, anunciada em janeiro. “Mas é importante que todas as nações continuem a cumprir o Protocolo de Montreal (e suas emendas), que bane a produção de CFCs.” Conheça alguns números sobre o caso.

 

Escalada do calor

Alagamento causado pelo furacão Harvey no Texas: marca de um dos anos mais quentes (Foto: Divulgação)

Sem o fenômeno El Niño a interferir, 2017 foi o ano mais quente da Terra desde o início dos registros, segundo um estudo divulgado em janeiro com dados que a Nasa, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (EUA) e o Met Office do Reino Unido reuniram. Considerando-se tudo, o ano passado está entre os três mais quentes documentados. A temperatura no período foi 1oC acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial. Em 2017 também ocorreram eventos extremos marcantes, como furacões nos EUA e no Caribe, ondas de calor na Austrália e inundações catastróficas na Ásia, todos compatíveis com o aquecimento global. Desde 2000 ocorreram 17 dos 18 anos mais quentes registrados desde 1850. Segundo cientistas de todo o mundo, o limite de 1,5oC de aquecimento fixado como meta no Acordo de Paris está sendo atingido muito rapidamente, o que aumenta a urgência no corte de emissões de gases-estufa.

 

Cão-robô

Lançado nos anos 1990 e descontinuado em 2006, o Aibo, cão robótico da Sony, foi reestilizado para o atual mercado e relançado no fim de 2017 no Japão. As inovações incluem um design diferente, com curvas, inteligência artificial e acesso à internet. Entre outras habilidades, ele reage a comandos de voz, faz truques como um cão real e aprende a desviar de obstáculos e a discernir o que o dono mais aprecia fazer com ele. Seus olhos de OLED podem expressar diferentes emoções. O preço não está entre as vantagens de se ter um novo Aibo: gira em torno de R$ 5,7 mil.

 

metros de espessura têm, no máximo, as camadas de gelo depositadas em encostas íngremes nos hemisférios norte e sul de Marte, de acordo com cientistas americanos. As latitudes de sua localização equivalem às da Escócia e da ponta meridional da América do Sul. A descoberta deverá facilitar a exploração do planeta pelo ser humano. O estudo foi publicado em janeiro na revista Science.

 

Candidatos à psicose

Homens jovens, minorias étnicas e moradores de áreas com baixos indicadores socioeconômicos têm maior tendência a manifestar o primeiro episódio de distúrbios mentais como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão, afirma uma equipe internacional que inclui cientistas da Medicina da USP. Eles identificaram pacientes que tiveram a primeira ocorrência psicótica em 17 centros urbanos e rurais dos seis países participantes. Das 2.774 pessoas nessas condições, 1.578 eram homens e 1.196 mulheres, com 30 anos em média. Houve uma variação grande na incidência entre os centros – a cada grupo de 100 mil habitantes, ela foi de 6 novos casos em Santiago (Espanha), 21 em Ribeirão Preto e 46 em Paris. Os fatores determinantes para os problemas são mais ambientais do que genéticos, indica o estudo, publicado em janeiro na revista JAMA Psychiatry.

 

O fim do superlixão

Lixão da Estrutural: fim do horror (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/FotosPúblicas)

O maior lixão da América Latina, o da Estrutural, em Brasília, finalmente foi desativado em janeiro, depois de três adiamentos. O local, a 20 quilômetros da Praça dos Três Poderes e ao lado do Parque Nacional de Brasília, será substituído por um aterro sanitário em Samambaia, também no Distrito Federal. Mas a troca não é definitiva: as autoridades preveem que em dez anos terão de construir um novo lugar para abrigar os resíduos descartados. Confira a seguir alguns números dessa supercentral do lixo.

 

Secretaria da Solidão

A solidão é um problema em qualquer latitude, mas a Grã-Bretanha – país no qual cerca de 9 milhões de pessoas são afetadas por ela, em diversas faixas etárias – decidiu agir de forma pioneira: desde 17 de janeiro, tem uma “Secretaria da Solidão”. Segundo a primeira-ministra, Theresa May, o ocupante do cargo trabalhará com o Comitê da Solidão (órgão preexistente), ONGs e empresas para definir uma estratégia de combate ao problema. Segundo um estudo divulgado em 2017, os efeitos negativos da solidão se comparam aos do consumo de 15 cigarros por dia. Segundo a secretária indicada, Tracey Crouch, uma estrutura contra a solidão dos britânicos no futuro será criada a partir de um fundo milionário.

 

Acusação falsa

A peste bubônica que devastou a Europa entre 1347 e 1351 não foi causada por ratos e suas pulgas, afirmam cientistas das universidades de Oslo (Noruega) e Ferrara (Itália). Segundo eles, o surto da doença, que matou 25 milhões de pessoas, teve como principal origem as pulgas e piolhos encontrados em seres humanos. A partir dos dados de mortalidade em nove cidades europeias, os cientistas criaram modelos de dinâmica da doença nesses locais usando três fatores de disseminação: ratos, transmissão aérea e pulgas e piolhos que vivem em seres humanos e suas roupas. Em sete das nove cidades, a última alternativa se mostrou muito mais consistente. O estudo foi publicado em janeiro na revista PNAS.

 

quilômetros quadrados de florestas foram derrubados na Amazônia em agosto de 2017, revelou em janeiro um novo e mais preciso sistema de processamento de imagens de satélite usado pela ONG Imazon, que flagra desmatamentos em áreas de até 1 hectare. De acordo com o levantamento, 21% do total desmatado foi feito em propriedades com menos de 10 hectares.

 

Poluição reduzida

Céu sujo de Beijing: a melhora pode estar vindo (Foto: iStockphotos)

A capital chinesa, Beijing, pode estar começando a se livrar da sua opressiva poluição atmosférica. As severas medidas adotadas pelas autoridades do país desde 2013, entre as quais figura a redução do número de termelétricas a carvão em funcionamento, permitiram um avanço consistente da quantidade de dias de “bom ar”. Apenas no último trimestre do ano passado, a densidade média do material particulado de 2,5 micrômetros (PM2.5), que penetra fundo nos pulmões, caiu 53,8% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegou a 58 microgramas por metro cúbico, segundo o escritório de proteção ambiental de Beijing. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a exposição ao PM2.5 em 24 horas seja de no máximo 25 microgramas por metro cúbico. Mas estudiosos ainda têm dúvidas sobre o caráter sustentável dessa melhora.

 

Veneno salvador

O temível vírus zika, causador de microcefalia em bebês de gestantes infectadas, pode ter um lado positivo: se modificado geneticamente, ele se tornará uma alternativa no tratamento do glioblastoma, o tipo mais comum e agressivo de tumor cerebral maligno em adultos. A descoberta, feita por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (FCF-Unicamp), deverá ser publicada na revista científica Journal of Mass Spectrometry. Segundo os cientistas, 48 horas após a infecção pelo vírus modificado há um número significativo de células redondas e inchadas, formação de células multinucleadas (em que a membrana celular engloba vários núcleos) e perda acentuada de integridade celular, um prenúncio da morte celular.

 

Crocodilo do pneu

Crocodilo indonésio e seu “enfeite”: há mais de um ano com o objeto (Foto: AFP Photo / ARFA)

A interferência humana na vida dos animais selvagens chega a níveis surpreendentes. O crocodilo de água salgada da foto acima, tirada em janeiro na região do rio Palu, na ilha de Sulawesi (Indonésia), já convive com esse pneu ao redor do seu pescoço há mais de um ano, informam agentes de conservação do país. Eles prosseguem nas buscas para encontrar o animal e livrá-lo de seu bizarro ornamento.

 

deverá ser o Imposto sobre Produtos Industrializados cobrado de carros elétricos no Brasil, informou em janeiro o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. A alíquota em vigor é de 25%. Para veículos híbridos, a taxa deverá ficar entre 7% e 9%. Em 2017 foram vendidos no país 3.296 automóveis elétricos e híbridos, três vezes mais do que em 2016.



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