Volta ao mundo

Luta pela conscientização

“Plasticus”, obra colocada à frente de um auditório em Roma: alerta sobre um problema urgente (Foto: Andreas Solaro)

O problema representado pelo acúmulo de plástico na natureza, em especial nos oceanos (confira a matéria de capa desta edição), parece entrar gradualmente na ordem do dia. Um exemplo disso é a escultura “Plasticus”, colocada na frente do Auditório Parco della Musica, em Roma, por ocasião do Festival de Ciência National Geographic, realizado de 16 a 22 de abril. A obra, criada pela Sky Ocean Rescue-A Sea to Save, foi feita com 250 quilos de resíduos plásticos – a mesma quantidade despejada nos oceanos por segundo. O desenvolvimento de uma enzima natural (a PETase) que digere alguns dos plásticos mais poluentes, feito por cientistas britânicos e anunciado também em abril, pode revolucionar o tratamento dado à questão, mas o mais importante ainda é conscientizar os consumidores sobre esse problema.

 

Proteína do magnetismo

Uma proteína nos olhos permite às aves “ver” o campo magnético da Terra nas migrações (Foto: Stephen Strathdee)

O “sexto sentido” que permite às aves visualizar o campo magnético da Terra em suas migrações está ligado a uma proteína presente nos olhos desses animais, afirmam duas equipes de cientistas. Estudos anteriores já sugeriam que um grupo de proteínas chamado criptocromos, encontrado nos olhos e relacionado à regulação de ritmos circadianos, está ligado a esse processo. Cientistas da Universidade de Lund (Suécia) descobriram em mandarins que a capacidade de visualização do campo magnético está em uma dessas proteínas, a Cry4. Uma equipe da Universidade de Oldenburg (Alemanha) chegou à mesma conclusão pesquisando tordos. Os estudos saíram em abril respectivamente nas revistas “Journal of the Royal Society Interface” e “Current Biology”.

 

Controle rígido

Pontuações mais altas facilitarão a vida dos chineses nos aeroportos locais (Foto: Baona)

O Big Brother imaginado por George Orwell no romance “1984” avançou alguns passos na China com o Sistema Nacional de Crédito Social, um cadastro que entrará oficialmente em vigor em 2020 e classificará os cidadãos segundo várias notas. Um algoritmo vai analisar dados pessoais referentes a, por exemplo, publicações em redes sociais, histórico de pagamentos, comportamento no trânsito e em jogos online e respeito ao programa de planejamento familiar. As pontuações mais altas trarão vantagens como mais facilidade para alugar um imóvel, descontos em compras e passagem livre na segurança de aeroportos. Quem ficar nas posições inferiores, porém, terá problemas para viajar em trens ou aviões. Calcula-se que 28 milhões de pessoas já se cadastraram em algum tipo de ranking social no país.

 

Origem violenta

Fobos e Deimos (direita) : origem em choque de Marte com um asteroide (Foto: Divulgação)

As duas pequenas luas de Marte são o resultado de uma colisão do Planeta Vermelho com outro corpo celeste, confirmaram cientistas americanos. A outra hipótese, descartada agora, era de que os astros eram asteroides capturados pela gravidade marciana. O tamanho de Fobos e Deimos (12 e 22 quilômetros de diâmetro, respectivamente) serviu para os pesquisadores simularem em computador as dimensões do corpo que colidiu com Marte, e a conclusão foi que seria um asteroide com diâmetro entre 480km e 960km. O impacto produziu um disco de fragmentos que passou a orbitar o planeta. As partes externas do disco se agruparam para formar os satélites, enquanto as internas voltaram para a superfície marciana.

 

Avanço lento

(Foto: iStock)

O mais recente estudo feito com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgado em abril pelo Instituto Trata Brasil, mostra que o país tem apresentado progressos pequenos nesse setor. Segundo o trabalho, baseado em números de 2016, 55% do esgoto produzido pelos brasileiros é despejado sem tratamento na natureza, o equivalente a 5,2 bilhões de metros cúbicos por ano. Pouco mais da metade (51,9%) da população do país tinha acesso à coleta de esgoto em 2016. Os restantes 48,1% (mais de 100 milhões de pessoas) recorriam a outras opções para descartar seus dejetos, como despejá-los em fossas ou diretamente nos rios. Conheça a seguir mais números do triste retrato do saneamento no Brasil.

 

Esponja antipoluição

Vazamento de óleo no mar: solução à vista? (Foto: iStock)

Um polímero feito de enxofre e óleo de canola pode ser a solução para remover petróleo cru e diesel derramados em vazamentos, afirmam cientistas australianos. Liderado pela Universidade Flinders, o estudo, publicado na revista “Advanced Sustainable Systems” em abril, mostra que a substância, “barata e sustentável”, funciona como uma esponja, que pode ser espremida para retirada do óleo e reutilizada em seguida. De acordo com a International Tanker Owners Pollution Federation, cerca de 7 mil toneladas de petróleo cru foram derramadas nos oceanos em 2017.

 

mil toneladas de alimentos são desperdiçados pelos americanos diariamente, segundo uma pesquisa do Departamento de Agricultura dos EUA publicada em abril na revista “PLOS One”. O volume equivale a um terço das calorias que cada cidadão do país consome por dia. Aqueles cuja dieta é mais rica em frutas e vegetais são os que mais desperdiçam.

 

Ameaça mais distante

Ivi prestes a ganhar a liberdade: exemplo do sucesso da preservação (Foto: Divulgação)

Solta em abril no rio Tatuamunha, em Alagoas, a fêmea Ivi, de 6 anos e cerca de 436 quilos, foi o 46º peixe-boi devolvido à natureza desde 1994, por meio do Programa Peixe-Boi/Cepene (Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste) do Instituto Chico Mendes. O número indica o sucesso da iniciativa, apoiada pela Fundação Toyota do Brasil e pela Fundação SOS Mata Atlântica, que busca reintroduzir esses mamíferos (incluindo filhotes nascidos em recintos de aclimatação) na natureza a fim de reconectar duas populações isoladas entre Alagoas e Pernambuco e, assim, reduzir as chances de extinção da espécie. Hoje estima-se que haja mil peixes-bois entre Alagoas e Piauí, ameaçados sobretudo pela perda de seu habitat original, o mangue.

 

Ninho de lixo

Para fazer o ninho, o pássaro não se importou em usar resíduos tirados do lago (Foto: AFP Photo / Ritzau Scanpix)

Se o incômodo não desaparece, uma solução pode ser aproveitar-se dele. Essa foi a saída encontrada por um cisne em abril para fazer um ninho em um lago perto da Ponte Rainha Luísa, no centro de Copenhague, a capital da Dinamarca. Entre os componentes do ninho havia restos de lixo recolhidos do lago. Mas os resíduos não impediram a ave de deixar ali seus ovos.

 

Pistas do planeta perdido

O escuro Almahata Sitta, no deserto: resto de um planeta desaparecido (Foto: Divulgação)

Análises de microscópio de minúsculos diamantes encontrados no meteorito Almahata Sitta, que caiu no Deserto da Núbia (Sudão) em 2008, sugerem que eles foram formados em um “planeta perdido” existente nos primeiros 10 milhões de anos do nosso sistema solar. O estudo de cientistas da Suíça e do Japão, publicado em abril na revista “Nature Communications”, indica que o material, ureilita, contém compostos produzidos sob intensa pressão, no interior de um planeta. Para os pesquisadores, o tamanho desse mundo estaria entre o de Mercúrio e o de Marte. Ele seria um de dezenas de corpos semelhantes que teriam colidido entre si para formar os planetas atuais.

 

dos corais da Grande Barreira de Coral morreram durante uma onda de calor marinha de nove meses em 2016, afirmam cientistas australianos em estudo publicado em abril na revista “Nature”. Os pesquisadores mapearam o impacto da onda ao longo da barreira e relacionaram a mortandade a áreas onde a exposição ao calor foi maior. O terço norte da barreira foi o mais atingido.

 

Corrente mais lenta

Cena de “O Dia Depois de Amanhã”: visão catastrófica da desaceleração da Corrente do Golfo (Foto: Divulgação)

A situação pode não ser tão catastrófica quanto a mostrada no filme “O Dia Depois de Amanhã”, mas a Corrente do Golfo, que leva água mais quente dos trópicos para o Atlântico Norte, realmente está mais lenta, informam cientistas internacionais em dois estudos publicados em abril na revista “Nature”. A mudança pode ter relação com os níveis mais altos de dióxido de carbono na atmosfera. Os dois estudos constataram uma queda de 15% na velocidade da corrente – uma das equipes de autores considera que isso ocorre desde os anos 1950, enquanto a outra afirma que o processo já dura um século e meio. Uma redução ainda maior poderá causar distúrbios climáticos nos Estados Unidos, na Europa e na África, e o nível do mar poderá subir rapidamente na costa leste americana.

 

Álcool x saúde

(Foto: iStock)

Os defensores da dieta mediterrânea que apregoam as vantagens de tomar uma taça de vinho nas refeições têm de rever sua opinião, segundo um estudo inglês publicado em abril na revista “Lancet”. Os pesquisadores alertam que o limite máximo de álcool em termos de saúde é cinco taças ou copos de 175 mililitros por semana. Acima disso, sobem as probabilidades de derrame cerebral, aneurisma, insuficiência cardíaca e morte. Para um consumidor de álcool de 40 anos, os riscos de excesso se comparam aos do tabagismo. Se ele tomar quatro copos por dia acima da quantidade recomendada, o efeito será a redução de dois anos em sua expectativa de vida, informam os cientistas.

 

Astronomia inca

Calendário de pedra incaico: também erguido nos desertos (Foto: Armin Silber)

Pesquisadores acharam no deserto de Atacama (Chile), a 4.200 metros de altitude, quatro “saywas”, ou calendários de pedra, estruturas usadas pelos incas para identificar e prever eventos astronômicos. Com cerca de 1,2 metro de altura, as saywas foram descobertas entre março e junho de 2017 por cientistas do Museu de Arte Pré-Colombiana e astrônomos do Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array (Alma), a 4.200 metros de altitude. As estruturas estavam alinhadas com o ponto de saída do sol no equinócio de outono e no solstício de inverno. Após um ano de análise, concluiu-se que elas são marcadores astronômicos, estão alinhadas com datas relevantes do calendário inca e não ficavam apenas em grandes cidades dessa civilização, como se pensava até hoje.

 

Crocodilos sagrados

Tratador cuida de crocodilos durante festival no Paquistão: animais não atacam os fiéis (Foto: Asif Hassan)

Entre as festividades religiosas espalhadas pelo mundo, uma das mais curiosas é certamente o Sheedi Mela, o festival anual de crocodilos que ocorre nos arredores de Karachi, no Paquistão. Realizada em 2018 no mês de março (a data é definida pelos líderes espirituais da comunidade), a celebração é o momento mais importante dos sheedis, descendentes de africanos que chegaram ao solo paquistanês. Aberto a todas as etnias, o festival é conhecido principalmente pela reverência dedicada aos crocodilos-persas nas proximidades do templo do mestre sufi Hasan-al-Maroof Sultan Manghopir. Os visitantes fazem oferendas de carne fresca aos crocodilos para concretizar seus pedidos. Para os sheedis, esses animais não fazem mal aos fiéis e merecem tanto respeito quanto os humanos – quando morrem, são enterrados perto do templo.

 

Abertura para o turismo

Khuraiba: um dos locais que os sauditas vão abrir ao turismo (Foto: AFP Photo / Fayez Nureldine)

Um dos países mais fechados do mundo à visitação estrangeira, a Arábia Saudita, sob o comando do príncipe Mohammed bin Salman, dá mostras crescentes de querer deixar para trás esse isolamento, pelo menos parcialmente. A mais recente iniciativa nesse sentido veio em abril, com a assinatura, em Paris, de um acordo para o desenvolvimento turístico e cultural do município de Al-Ula, no noroeste do país. Essa área de encruzilhada de várias civilizações antigas guarda diversos vestígios desse passado glorioso, como o sítio de Khuraiba (foto). O processo envolve a concessão de vistos turísticos, um fato inédito na história do reino saudita.

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