Yucatán: passado climático dá pistas da queda dos maias

Segundo cientistas canadenses, alterações nas marés e furacões contribuíram para derrubar a civilização maia; descobertas também ensinam sobre efeitos das mudanças climáticas hoje

Yucatán: disponibilidade de água doce foi a chave da permanência ou não dos maias em seus núcleos urbanos. Crédito: Lousanroj/Wikimedia/CC BY-SA 3.0

Uma nova pesquisa de cientistas canadenses mostra que as mudanças nas marés e a atividade dos furacões contribuíram para derrubar a civilização maia séculos atrás. Segundo os pesquisadores, mudanças no lençol freático em toda a Península de Yucatán impactaram os maias e agora oferecem lições sobre os efeitos das mudanças climáticas atuais. Seu estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

“Grandes partes da Península de Yucatán ficam em formações rochosas feitas de calcário, com fissuras e cavernas por toda parte”, disse Aaron Coutino, recém-graduado em matemática aplicada pela Universidade de Waterloo. “A água da chuva e o escoamento se acumulam nas formações das cavernas e rios subterrâneos, e é aí que grande parte da água doce fica no Yucatán. (…) Se houver mudanças no nível do mar ou na atividade das marés, o que acontece nessas zonas de fissura é uma mistura entre a água doce na superfície e a água salgada que penetra no oceano abaixo.”

Os pesquisadores mostram que as flutuações na população maia e nos padrões de assentamento foram afetadas pelo acesso à água doce. Muito antes da chegada dos europeus e da eventual destruição da civilização maia, o registro arqueológico mostra ciclos de ruptura interna.

Acesso à água doce

“Às vezes as coisas nas cidades maias eram boas, e às vezes as pessoas pareciam se dispersar no campo”, disse Marek Stastna, professor de matemática aplicada na Universidade de Waterloo e coautor do estudo. “Há uma variedade de teorias na comunidade arqueológica sobre o motivo. Esta pesquisa sugere que ele tinha a ver com o acesso regular à água doce. A água deixa de ser boa para beber e até deixa de ser útil para irrigação. Quando você não pode irrigar suas plantações, não pode ter uma cidade de 40 mil habitantes, como algumas das cidades maias eram.”

Os pesquisadores colocaram sensores em corpos d’água em todo o Yucatán para coletar dados. Eles encontraram flutuações diárias nos níveis de água e salinização que mostram o impacto das marés oceânicas até mesmo em lagos longínquos. Seu trabalho oferece novos conhecimentos para arqueólogos e historiadores do clima, mas também para os climatologistas atuais.

Os pesquisadores afirmam que o estudo informa como o mundo contemporâneo pode pensar sobre as diferentes maneiras como as mudanças climáticas se expressam. O Yucatán, com seu lençol freático único, é vulnerável de maneiras específicas. Outras regiões terão suas vulnerabilidades específicas.

“Agora, você vê como a mudança climática se expressa em lugares como a Colúmbia Britânica [província no sudoeste do Canadá], com esses enormes incêndios florestais. E no Yucatán, a mudança climática se expressa por meio do lençol freático subterrâneo. Se você está em Acádia [região no leste do Canadá], talvez a maior preocupação seja erosão costeira, mas em Yucatán a mudança pode se manifestar no interior”, disse Stastna. “As pessoas não deveriam estar pensando se a mudança climática está acontecendo, mas como ela se expressa em diferentes lugares.”

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